Racismo na linguagem é tema de projeto no CEEFMTI Afonso Cláudio

O Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral (CEEFMTI) Afonso Cláudio, da rede estadual capixaba, realizou entre os dias 10 e 19 de setembro o projeto Expressões Racistas: #DigaNãoRacismo, que colocou em discussão o racismo presente na linguagem do dia a dia. Em vez de aula expositiva, a escola montou um espaço de conversa no próprio prédio e pediu que os estudantes produzissem vídeos, podcasts e um painel com alternativas de fala.

Pela apresentação do projeto, a proposta era conscientizar estudantes e professores sobre a origem e o impacto de termos racistas presentes no cotidiano, além de trabalhar respeito, equidade e diversidade. A mediação ficou com a professora Lucimar Ramos, responsável pela ação.

Um cantinho de diálogo no lugar da sala de aula

A atividade foi realizada fora da sala de aula, em um cantinho de diálogo criado na escola. Ali, os alunos podiam relatar situações de preconceito ou tirar dúvidas sobre linguagem — inclusive sobre expressões que repetem sem saber o que carregam. O formato tem um efeito prático: é um espaço menor e mediado, separado da dinâmica da turma inteira, onde perguntar não expõe quem pergunta.

As rodas de conversa seguiram a mesma lógica. Roda de conversa é o nome dado à dinâmica em que o grupo se senta em círculo e a fala circula entre os participantes, com um mediador organizando os turnos em vez de conduzir uma exposição. Nesse desenho, a discussão girou em torno de como expressões aparentemente inofensivas carregam preconceitos históricos contra a população negra, conforme a descrição da atividade.

A relação de termos debatidos não foi divulgada. O que a escola informou é o critério que orientou a conversa: identificar expressões comuns e procurar substituições.

Vídeos, podcasts e um painel de substituições

Durante o projeto, os jovens foram incentivados a produzir vídeos curtos e podcasts apresentando alternativas de linguagem para substituir expressões racistas. É uma inversão de tarefa que muda o exercício: em vez de apenas apontar o que não se deve dizer, o estudante precisa chegar a uma frase que funcione no lugar da anterior.

O fecho veio na forma de culminância — termo que as escolas usam para a atividade final que reúne e expõe o que foi produzido ao longo de um projeto. No caso, foi confeccionado um painel com exemplos de expressões e substituições, instalado no espaço de convivência da escola. A escolha do local tira o material do grupo que participou das rodas e o coloca diante de quem passa por ali todos os dias.

O que dizem a professora e uma estudante

A professora responsável pela ação avalia que a proposta teve grande impacto pedagógico. Sobre o que os estudantes fizeram nas rodas, ela relata:

A atividade buscou conscientizar os estudantes sobre a presença do racismo na linguagem cotidiana. Eles puderam identificar expressões comuns que carregam preconceitos históricos contra a população negra e refletir sobre a necessidade de substituí-las por termos mais respeitosos.

A avaliação é da professora Lucimar Ramos, que mediou as atividades.

Do lado de quem participou, uma estudante da escola descreveu assim o que levou da experiência:

Eu nunca tinha parado para pensar que algumas palavras que a gente fala no dia a dia podem ser racistas. Depois da atividade, percebi que posso ofender alguém sem querer. Agora sei que preciso cuidar mais da minha fala e ajudar meus colegas a fazerem o mesmo.

O relato é de uma estudante que acompanhou o projeto.

O que foi registrado e o que não foi medido

Vale separar duas coisas que costumam aparecer juntas em matéria de escola. Uma é o que a atividade fez: uma programação entre 10 e 19 de setembro, um espaço de escuta aberto fora da sala de aula, rodas de conversa mediadas, vídeos, podcasts e um painel exposto. Outra é o efeito disso sobre quem participou.

A primeira parte está descrita. A segunda não foi objeto de medição divulgada: não há levantamento, aplicação de questionário nem comparação antes e depois. O que existe são as avaliações de quem esteve na atividade — a da professora que a conduziu e a da estudante que participou dela. São impressões de participantes, e é assim que devem ser lidas.

O painel continua sendo a parte mais visível do trabalho, justamente porque fica onde a escola inteira circula. É o pedaço do projeto que segue disponível para quem não esteve nas rodas de conversa.

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