No segundo dia de palestras da VMX 2026, os roedores também foram destaque. Cheryl Greenacre, médica-veterinária especialista em animais exóticos, abordou os desafios clínicos associados à anorexia em pequenos roedores domésticos.
– PUBLICIDADE –

Durante a apresentação, a palestrante ressaltou que a redução ou ausência de ingestão alimentar nessas espécies não deve ser subestimada, uma vez que pode levar rapidamente à desidratação, perda de peso acentuada, dor e, em casos mais graves, ao óbito.
Particularidades anatômicas e fisiológicas dos roedores
Os pequenos roedores pertencem à ordem Rodentia e apresentam características anatômicas que impactam diretamente sua alimentação e saúde geral.
Os incisivos possuem crescimento contínuo ao longo da vida, enquanto os molares não se renovam, o que torna a avaliação odontológica essencial nos casos de anorexia.
Além disso, são animais monogástricos e onívoros, com um estômago dividido em porção aglandular e glandular, separadas pelo margo plicatus.
Segundo Greenacre, essas particularidades devem ser consideradas durante a avaliação clínica e o manejo nutricional.
A curta expectativa de vida dessas espécies também exige atenção redobrada.
Camundongos vivem, em média, até um ano e meio; ratos, até dois anos e meio; hamsters entre um ano e meio e dois anos; e gerbos podem alcançar até quatro anos.
A importância do monitoramento do peso corporal
Um dos pontos enfatizados pela especialista foi o monitoramento frequente do peso corporal.
“Em pequenos roedores, variações mínimas de peso podem representar perdas significativas de condição corporal”, explicou.
Mais do que o valor absoluto, a tendência de queda progressiva deve ser encarada como um sinal de alerta precoce, mesmo antes do aparecimento de outros sinais clínicos evidentes.
Condições clínicas associadas à anorexia
Diversas enfermidades podem levar à anorexia nesses pacientes. Em ratos, a pneumonia é uma das causas mais frequentes, frequentemente associada à dor e dificuldade respiratória.
Tumores mamários, especialmente fibroadenomas, também podem comprometer a alimentação e a mobilidade.
Em hamsters, a ileíte proliferativa é uma condição grave, marcada por diarreia intensa e rápida deterioração clínica.
Já os hamsters-anões apresentam maior predisposição ao diabetes mellitus, exigindo ajustes nutricionais específicos.
Nos gerbos, inflamações nasais associadas à produção excessiva de porfirina podem causar desconforto e redução do apetite.
Em todas as espécies, a doença dentária, especialmente a maloclusão, é uma das causas mais comuns de anorexia e dor crônica.

Dor como fator central no quadro clínico
A dor foi destacada como um fator determinante para a anorexia em pequenos roedores.
Greenacre recomendou o uso das escalas de grimace facial para ratos e camundongos como ferramenta complementar na avaliação da dor, auxiliando na tomada de decisão terapêutica.
“O controle da dor é essencial. Um animal com dor dificilmente retomará a ingestão alimentar espontânea”, afirmou.
Hidratação e suporte nutricional
No manejo clínico, a fluidoterapia subcutânea é a via de escolha, com volumes de manutenção em torno de 50 mL/kg/dia, ajustados conforme o grau de desidratação.
A especialista reforçou que a reidratação deve sempre preceder a alimentação assistida.
O suporte nutricional deve priorizar, inicialmente, a ingestão voluntária, com oferta de alimentos familiares, frutas, vegetais e papinhas.
Quando necessário, a alimentação assistida com seringa deve ser realizada de forma lenta, minimizando o estresse.
Dietas comerciais específicas para roedores onívoros e produtos desenvolvidos para animais de laboratório, como géis hidratantes e alimentos medicados, também foram citados como ferramentas úteis para melhorar a adesão ao tratamento.
Uso criterioso de medicamentos
Quanto ao tratamento farmacológico, Greenacre ressaltou a importância de utilizar referências confiáveis.
Analgésicos como meloxicam, buprenorfina, tramadol e gabapentina são amplamente empregados, com atenção especial à função renal, sobretudo em ratos machos idosos.
Em relação aos estimulantes de apetite, a palestrante destacou que ainda há escassez de evidências científicas para o uso rotineiro dessas substâncias em pequenos roedores, sendo necessária cautela na prescrição.

Abordagem integrada e precoce
Ao concluir a palestra, Cheryl Greenacre reforçou que a anorexia em pequenos roedores é uma condição multifatorial e que o sucesso do tratamento depende de uma abordagem integrada.
“Controle da dor, hidratação adequada, suporte nutricional precoce e redução do estresse ambiental são fundamentais para a recuperação desses pacientes”, finalizou.
Questões éticas emergentes na eutanásia de animais de companhia são debatidas na VMX 2026
Estratégias de manejo nutricional para gatos com DRC são discutidas durante a VMX 2026
Emergências dermatológicas são tema de palestra na VMX 2026
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!