O Carnaval é uma época marcada por música alta, aglomerações, cores, cheiros e uma rotina completamente diferente do habitual.
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Para cães e gatos, esse cenário pode representar um período de maior vulnerabilidade, exigindo atenção redobrada das famílias para evitar acidentes, fugas e problemas de saúde.
Pensando nisso, conversamos com Antonielly Nascimento dos Santos, médica-veterinária, residente em saúde coletiva e membro do Afrovet, sobre cuidados que devem ser tomados e a importância da prevenção antes mesmo do início da folia.
“Os cuidados precisam ser iniciados antes do começo do Carnaval para que o animal já esteja emocionalmente estabilizado quando os barulhos começarem. O foco deve ser sempre o manejo do estresse causado pelas festividades”, orienta Antonielly.
Fogos de artifício, caixas de som e música em volume elevado, por exemplo, afetam diretamente o bem-estar de cães e gatos, que possuem audição muito mais sensível do que a humana.
Segundo a veterinária, esse fator explica o aumento no número de internações e atendimentos emergenciais durante os períodos festivos.
“Os pets são muito mais suscetíveis aos estímulos sonoros. Isso fica evidente pelo aumento das intervenções veterinárias em épocas como Carnaval, São João e final de ano”, explica.
Para reduzir os impactos, é fundamental conhecer a dinâmica das comemorações na região, identificar os horários mais críticos e evitar a exposição desnecessária. Em alguns casos, o uso de abafadores de som pode ajudar.
Já animais com histórico de ansiedade, convulsões ou doenças cardíacas podem necessitar de manejo específico, incluindo o uso de medicamentos calmantes ou até a retirada temporária de locais mais barulhentos, sempre com orientação profissional.

Eventos de rua e presença dos pets
Antonielly ressalta que a participação em blocos e festas ao ar livre não é indicada para todos os perfis de pets. A avaliação deve considerar o temperamento, o grau de socialização e a tolerância do animal a ambientes movimentados.
“Se o animal consegue lidar bem com espaços externos e muita gente, é possível, desde que sejam adotadas medidas de segurança. Porém, o ideal é manter um espaço reservado e longe da multidão para evitar sustos e reações inesperadas”, destaca a residente.
Além disso, varandas ou sacadas podem ser alternativas mais seguras para acompanhar a movimentação da rua, desde que não haja risco de fuga ou quedas.
Alimentação e fantasias
Outro ponto crítico durante o Carnaval é o acesso a alimentos preparados para humanos. O aumento da circulação de pessoas e a distração favorecem ingestões acidentais, que podem resultar em intoxicações graves.
Ingredientes comuns como alho, cebola, sal, óleo, chocolate, uva e algumas oleaginosas são contraindicados. Logo, a profissional chama atenção para riscos específicos.
“Os gatos são muito afetados pelo consumo de alho, que pode causar anemia hemolítica mesmo em pequenas quantidades. Já nos cães, a ingestão de uva pode levar à insuficiência renal aguda”, alerta.
Com isso, manter a dieta habitual e restringir o acesso a comidas e bebidas durante a folia é uma medida simples e eficaz de prevenção.
Já o uso de fantasias não é, por si só, prejudicial, de acordo com a médica-veterinária, mas requer observação cuidadosa do comportamento do animal.
Peças em excesso, tecidos quentes e falta de adaptação podem gerar desconforto térmico e emocional.
“É importante respeitar o limite do animal e observar sinais de estresse. Em ambientes quentes e úmidos, o ideal é optar por acessórios leves, em vez de roupas completas”, orienta.

Rotina e emergências
Com a casa mais movimentada durante a comemoração, portas abertas e visitas frequentes, o risco de fugas aumenta consideravelmente.
Por isso, é importante manter cães e gatos em um espaço seguro e distante da entrada e saída de pessoas. Ainda assim, o isolamento prolongado deve ser evitado.
É importante ressaltar, ainda, que imprevistos podem acontecer, mesmo com todos os cuidados. Dessa forma, ter o contato do profissional que acompanha o pet e conhecer clínicas 24 horas na região são medidas essenciais para agir rapidamente.
“O veterinário que já sabe do histórico do animal consegue orientar de forma mais precisa e encaminhar o caso com agilidade. Em qualquer sinal de mal-estar, a busca por atendimento deve ser imediata”, conclui Antonielly.
FAQ sobre carnaval e cuidados com pets
Barulho em excesso realmente faz mal para cães e gatos?
Sim. A sensibilidade auditiva dos animais é muito maior, o que pode desencadear estresse intenso, crises de ansiedade e agravar condições pré-existentes, como problemas cardíacos ou neurológicos.
Posso oferecer petiscos da festa para o meu animal?
Não é recomendado. Alimentos preparados para humanos contêm ingredientes tóxicos ou prejudiciais, como alho, cebola, chocolate e uva, que podem causar intoxicações e doenças graves.
O que fazer em caso de emergência durante a folia?
Entre em contato imediatamente com o veterinário de confiança e procure um serviço de urgência. A rapidez no atendimento é fundamental para evitar complicações.
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