
Hoje, 4 de janeiro, é o Dia Nacional da Abreugrafia. A data celebra a técnica médica brasileira que revolucionou o rastreamento da tuberculose, foi criada por ato municipal em 1958 — não por lei federal — e não é feriado.
O que se comemora no Dia Nacional da Abreugrafia
O Dia Nacional da Abreugrafia marca o nascimento do médico brasileiro Manoel Dias de Abreu, em 4 de janeiro de 1892. Segundo o Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil, mantido pela Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fiocruz, Abreu foi o criador da abreugrafia — a radiografia em massa do tórax que se tornou arma central contra a tuberculose no Brasil e no mundo.
O método barateou e acelerou o rastreamento populacional da doença, o que ajuda a explicar por que ele se espalhou para além das fronteiras brasileiras e levou o nome do inventor para o vocabulário médico internacional. A abreugrafia é, hoje, uma das poucas técnicas médicas de origem brasileira que carrega, no próprio nome, o sobrenome de quem a inventou.
Manoel Dias de Abreu e a origem da técnica
A fonte consultada para esta reportagem, o Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil, atribui a Abreu a criação de um método capaz de examinar o tórax de um grande número de pessoas em pouco tempo e a baixo custo. É esse caráter de rastreamento em massa — e não apenas de diagnóstico de quem já procurava atendimento — que torna a abreugrafia um capítulo relevante da história da medicina brasileira, e que justifica a existência de uma data para lembrá-la.
O que diz — e o que não diz — a lei sobre o Dia Nacional da Abreugrafia
Não há lei federal instituindo o Dia Nacional da Abreugrafia, apesar do nome sugerir abrangência nacional. O que existe, segundo o mesmo Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil, é um ato do então prefeito da cidade de São Paulo, de 1958, que criou a data em nível municipal — não federal.
Essa distinção importa. Um ato municipal vale para os limites daquele município; não obriga o país inteiro, não gera feriado em lugar nenhum e não passa pelo Congresso Nacional. O fato de uma data trazer “Nacional” no nome não é garantia de que exista lei federal por trás dela: às vezes o nome é apenas o nome, herdado de um ato local que, décadas depois, passou a circular pelo país como se fosse norma de abrangência maior.
O termo “Nacional” em uma data comemorativa não comprova, por si só, a existência de lei federal — é preciso checar a norma, não o nome.
Como a data é marcada hoje
Sem lei federal e sem calendário oficial de eventos vinculado ao Estado, o Dia Nacional da Abreugrafia sobrevive sobretudo como registro histórico da medicina brasileira, mantido vivo por instituições de pesquisa e memória em saúde, como a própria Fiocruz. Não há ponto facultativo, não há expediente suspenso e não há celebração pública oficial de abrangência nacional atrelada a ela.
O que existe, de fato, é o reconhecimento de um nome que entrou para a história da medicina: a abreugrafia segue citada como exemplo de inovação brasileira em saúde pública, décadas depois de ter perdido centralidade nos protocolos de diagnóstico de tuberculose.
Em resumo, o Dia Nacional da Abreugrafia não tem lei federal — tem um ato municipal paulistano de 1958 e uma história real, a de um médico brasileiro cuja invenção ajudou a rastrear a tuberculose em larga escala. O “Nacional” no nome fala mais sobre a fama que a técnica alcançou do que sobre qualquer norma que hoje obrigue o país a comemorá-la.
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