
Hoje, vinte de novembro, é a Solenidade de Cristo Rei do Universo, celebração católica que fecha o ano litúrgico e não cai sempre no mesmo dia do calendário civil.
O que se celebra na Solenidade de Cristo Rei do Universo
A solenidade encerra o ano litúrgico católico, afirmando a realeza de Cristo sobre as consciências, as famílias e as nações. Não há norma brasileira envolvida na sua criação: o que existe é uma encíclica papal, e não uma lei.
A festa foi criada em 1925 pelo papa Pio XI, pela encíclica Quas Primas, e originalmente era celebrada no último domingo de outubro de cada ano.
Por que a data muda todos os anos
Com a reforma do calendário litúrgico posterior ao Concílio Vaticano II, em 1969, a solenidade foi transferida do último domingo de outubro para o último domingo do ano litúrgico, que é o domingo imediatamente anterior ao primeiro domingo do Advento. Como o Advento não começa sempre na mesma data do calendário civil, a Solenidade de Cristo Rei do Universo também varia, caindo entre 20 e 26 de novembro, dependendo do ano.
Em 2022, por exemplo, esse domingo caiu em 20 de novembro, e foi nessa data que o papa Francisco presidiu a missa da solenidade, conforme o registro da homilia publicado no portal da Santa Sé. É esse tipo de regra móvel, ligada ao calendário litúrgico e não a uma data fixa, que explica por que a solenidade não tem um dia único gravado em lei nenhuma — ela depende do cálculo do próprio calendário da Igreja, ano após ano.
A origem: uma encíclica papal de 1925
Pio XI criou a festa num momento muito específico da história europeia: a Europa saía da Primeira Guerra, monarquias católicas tinham desabado, e regimes autoritários e anticlericais avançavam pelo continente. A encíclica Quas Primas responde a esse cenário afirmando a realeza de Cristo sobre as consciências, as famílias e as nações — uma peça de disputa política e teológica do seu tempo, e não apenas um acréscimo devocional ao calendário católico.
Por fechar o ano litúrgico, a solenidade funciona como uma espécie de virada de ano própria da Igreja: no domingo seguinte, já começa o Advento, e com ele um novo ciclo de leituras bíblicas que vai se repetir ao longo dos meses seguintes. Em muitas dioceses, a data também costuma marcar o encerramento de campanhas pastorais do ano, fechando o calendário de atividades antes do início de um novo ciclo.
Como a solenidade é vivida hoje
No Brasil, o nome da solenidade batizou paróquias, bairros e uma quantidade grande de monumentos. O mais conhecido deles é o Cristo Rei de Cristalina, em Goiás, e há imagens semelhantes em cidades de todos os estados, quase sempre erguidas num ponto alto que também serve de mirante para quem visita a região.
Sem lei brasileira nenhuma regulando a data, quem organiza agenda paroquial ou de romaria precisa consultar o calendário litúrgico de cada ano para saber em que domingo exato a solenidade vai cair, já que ela nunca é fixa. É esse mesmo cálculo — o domingo anterior ao primeiro do Advento — que definiu o 20 de novembro em 2022 e que segue valendo, ano a ano, para determinar quando a Igreja encerra seu calendário e recomeça um novo ciclo de celebrações.
A Solenidade de Cristo Rei do Universo, portanto, resume bem o que diferencia datas religiosas móveis de datas cívicas fixas por lei: aqui não existe um dia único gravado em norma nenhuma, e sim uma lógica própria, interna ao calendário da Igreja, que se repete todos os anos sem nunca cair exatamente no mesmo dia do calendário civil.
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