
Todo dezenove de fevereiro, a Igreja Católica lembra o Dia de São Conrado de Placência, data do falecimento de um nobre italiano que trocou a riqueza pela penitência. Não existe lei brasileira que tenha instituído essa data, que segue o calendário litúrgico por causa do dia da morte do santo.
Quem foi o santo do Dia de São Conrado de Placência
Conrado Confalonieri nasceu por volta de 1290 em Calendasco, perto de Placência, no norte da Itália, em família nobre, e era dado à caça. Numa dessas caçadas, ateou fogo à mata para levar vantagem sobre os outros caçadores; as chamas fugiram ao controle e destruíram propriedades alheias. Um mendigo inocente foi preso e estava prestes a ser executado em seu lugar quando Conrado se apresentou, assumiu a culpa e vendeu tudo o que tinha para reparar o estrago.
Reduzido à pobreza, Conrado se separou da mulher de comum acordo: ela entrou para as clarissas, e ele para um eremitério de terciários franciscanos perto de Placência. Foi esse gesto de renúncia total que abriu o caminho para a vida de penitência lembrada até hoje no Dia de São Conrado de Placência.
Uma vida de penitência até a morte
Fugindo da fama que a história do incêndio e da confissão lhe trouxe, Conrado foi a Roma e depois a um lugar isolado perto de Noto, na Sicília, onde viveu trinta e seis anos de oração e penitência. Morreu em dezenove de fevereiro de 1351, ajoelhado diante de um crucifixo — é essa a data lembrada todo ano.
Foi beatificado por Leão X em 12 de julho de 1515 e canonizado por Urbano VIII em 1625. É padroeiro de Noto e invocado contra as hérnias, devoção que sobreviveu séculos sem depender de nenhuma norma civil.
Por que não há lei para o Dia de São Conrado de Placência
O Dia de São Conrado de Placência é uma data do calendário litúrgico católico, decorrente do dia da morte do santo, sem qualquer norma brasileira que a institua. Outras duas datas caem no mesmo dezenove de fevereiro e já estão registradas em outras reportagens deste calendário: o Dia Mundial da Baleia e o Dia do Esportista.
Vale um esclarecimento sobre essa segunda: o art. 54 da Lei nº 8.672, de 1993 (a chamada Lei Zico) fixava o Dia do Desporto justamente em dezenove de fevereiro, mas a Lei nº 9.615, de 1998 (a Lei Pelé) revogou a Lei Zico e transferiu a comemoração para 23 de junho pelo seu art. 86. Isso não muda nada sobre o Dia de São Conrado de Placência: a data religiosa desta reportagem não tem, nem nunca teve, lei brasileira.
Como o nome ficou na geografia carioca
No Brasil, o nome do santo permanece sobretudo na geografia: o bairro carioca de São Conrado se chama assim por causa da igreja homônima, construída em 1903 por Conrado Jacob de Niemeyer, dono das terras que dariam origem ao bairro. É um caso em que o nome sobreviveu ao esquecimento da história por trás dele.
Como a data é lembrada hoje
Sem lei, sem feriado e sem grande visibilidade fora dos círculos católicos, o Dia de São Conrado de Placência sobrevive do jeito que sobreviveu por séculos: pela devoção de quem invoca o santo contra as hérnias e pela memória, dentro da Igreja, de um homem que trocou toda a riqueza pela penitência depois de um acidente que quase custou a vida de um inocente.
Fora dos calendários paroquiais, é mais fácil encontrar o nome de Conrado numa placa de rua ou de bairro do que numa celebração pública — o que também é parte da história de como devoções antigas atravessaram o tempo sem depender de nenhuma lei para sobreviver.
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