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Roubo da Taça Jules Rimet: por que não tem lei

Taça de futebol antiga sobre mesa em referência ao roubo de um troféu esportivo em 1983
Foto: Hugo Polo / Pexels

Hoje, 19 de dezembro, é o aniversário do roubo da Taça Jules Rimet, efeméride do futebol brasileiro que não é feriado.

O que foi o roubo da Taça Jules Rimet

O roubo da Taça Jules Rimet é um dos episódios mais lembrados da história do futebol brasileiro fora de campo. Na noite de 19 de dezembro de 1983, o troféu foi furtado da sede da Confederação Brasileira de Futebol, na Rua da Alfândega, no centro do Rio de Janeiro.

Segundo apuração da Agência Câmara de Notícias, do Portal da Câmara dos Deputados, feita por ocasião dos 35 anos do episódio, o vigia noturno do local foi rendido durante a ação, e a taça nunca foi recuperada.

A trajetória da taça até o tricampeonato de 1970

A Taça Jules Rimet era o troféu entregue ao campeão da Copa do Mundo antes da taça atual da entidade internacional do futebol. O Brasil conquistou o objeto em definitivo ao vencer o tricampeonato mundial em 1970, regra que previa a posse permanente do troféu para a seleção que chegasse a três títulos. Foi essa conquista de 1970 que trouxe o troféu para a guarda da Confederação Brasileira de Futebol no Rio de Janeiro, onde ficou até a noite do roubo, treze anos depois.

O destino do troféu após o roubo nunca foi estabelecido com prova. A versão que circula com mais força é a de que ele teria sido derretido, mas essa é uma versão corrente, não um fato comprovado documentalmente — e por isso não pode ser tratada aqui como conclusão fechada do caso.

Por que não há lei envolvida no caso

Diferente de boa parte das datas do calendário comemorativo, o aniversário do roubo da taça não é uma data comemorativa oficial, nem tem lei, decreto ou resolução por trás. É uma efeméride jornalística: uma data marcada pela imprensa e por veículos oficiais, como o próprio Portal da Câmara dos Deputados, para relembrar um fato histórico relevante — não uma homenagem instituída por norma.

Essa diferença importa. Datas comemorativas em geral nascem de lei, decreto ou resolução de conselho de classe, com data fixada em texto normativo. Uma efeméride histórica como esta não passa por nenhum desses caminhos: ela existe porque o fato aconteceu numa data específica, e a imprensa volta a tratá-lo a cada aniversário, sem que nenhuma autoridade tenha precisado formalizar a lembrança em lei.

É um tipo de data comum no jornalismo: nasce de um acontecimento marcante, ganha o hábito de ser relembrada ano após ano, e acaba se somando, nos calendários de efemérides, às datas que de fato têm lei ou decreto por trás. Mas os dois tipos de data não se equivalem — uma existe por força de norma; a outra, apenas pela força do próprio fato histórico.

Como o episódio é lembrado hoje

Passadas mais de quatro décadas, o roubo da taça segue como símbolo de descuido com o patrimônio esportivo brasileiro. A cada aniversário da data, o caso volta a render pauta sobre a guarda de acervos esportivos e sobre a memória do futebol no país — tema que ganhou força, inclusive, em reportagens de veículos oficiais como a Agência Câmara de Notícias, que revisitou o caso por ocasião dos 35 anos do episódio.

Não há, até onde a apuração desta reportagem permite afirmar, prova documental sobre quem cometeu o roubo ou sobre o destino final do troféu. Por isso, este texto evita citar nomes de supostos responsáveis ou afirmar com certeza o que aconteceu com a taça depois da noite de 19 de dezembro de 1983 — o que se sabe, com base na apuração oficial, é que ela foi levada da sede da Confederação Brasileira de Futebol e nunca voltou.

Essa cautela também é uma lição do caso: quando não existe prova documental de um desfecho, o mais responsável é dizer exatamente isso, em vez de repetir como certeza uma versão que apenas circula com mais força. É a mesma lógica que vale para as datas comemorativas sem lei — melhor admitir a lacuna do que inventar uma origem que não existe.

Em resumo, o roubo da Taça Jules Rimet aconteceu na noite de 19 de dezembro de 1983, na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, e o troféu conquistado pelo Brasil no tricampeonato de 1970 nunca foi encontrado. Sem lei ou norma envolvida, a data sobrevive como efeméride histórica e segue provocando debate sobre a preservação da memória esportiva brasileira.

Outras datas de dezembro

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