A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) levou uma palestra sobre violência contra a pessoa idosa à sede do Instituto de Previdência de Cariacica (IPC/ES) na manhã de quinta-feira, dia 5. O encontro reuniu mais de 50 pessoas, entre servidores do instituto e moradores interessados. Foi uma ação pontual: a nota oficial descreve uma atividade já realizada e não anuncia nova edição, calendário nem continuidade.
A atividade foi conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa (DEPPI) e entrou na programação do Junho Violeta, campanha que, segundo a corporação, é dedicada a divulgar os direitos de quem envelhece e a combater a violência em suas várias formas.
O que cada lado colocou na parceria
A nota trata a ação como parceria entre a PCES e o IPC/ES, e o que ela descreve é a divisão de tarefas de uma manhã. A Polícia Civil entrou com a equipe da DEPPI e com o conteúdo: a delegada Milena Gireli, o assistente social Renilton Passos e a psicóloga Aline Terra conduziram o encontro. O instituto entrou com o espaço, já que o encontro ocorreu no próprio prédio do IPC/ES, e com boa parte do público, formada por seus servidores.
Parceria, aqui, não é contrato. O material não menciona termo assinado, convênio, valor, prazo de vigência nem contrapartida de qualquer das partes. Ele registra uma atividade concluída, não um acordo em vigor — e a diferença importa para quem chega ao texto procurando um programa permanente a que possa recorrer.
Violência contra a pessoa idosa: os canais que a corporação destacou
A parte da palestra que serve a quem não estava na sala é a lista de canais de denúncia. Foram citados o Disque 100, o Disque 181, as delegacias de polícia e os Centros de Referência de Assistência Social, o CRAS e o CREAS. São caminhos de naturezas diferentes: os dois primeiros são telefônicos e recebem o relato à distância; os demais exigem procurar uma unidade presencialmente.
A nota, porém, para aí. Ela não informa horário de funcionamento de nenhum desses canais, não diz se o atendimento por telefone funciona em fim de semana e feriado, não traz endereço de unidade em Cariacica e reúne CRAS e CREAS sob uma denominação única, sem explicar o que distingue um do outro. Quem precisa denunciar hoje sai do material com os números e com mais nada.
Golpe, negligência e as violências que não deixam marca
O conteúdo apresentado passou por como se proteger de golpes e pelas violências física, psicológica, patrimonial, institucional e negligência. Pela nomenclatura que a própria corporação usa, a lista vai muito além da agressão visível: alcança o dinheiro e os bens da pessoa idosa, o trato recebido em atendimento e a falta de cuidado de quem tem o dever de cuidar. A nota apenas nomeia os temas — não define nenhum deles e não indica como reconhecer cada situação.
O que é o IPC, segundo a própria nota
A sigla aparece no título e no corpo do material sem descrição de atividade. O que a corporação informa é o nome por extenso, Instituto de Previdência de Cariacica, e dois dados de contexto: a palestra ocorreu na sede do instituto e parte do público era formada por seus servidores. A nota não diz o que o instituto faz, a quem atende, qual a relação dele com a população idosa do município nem por que foi escolhido para sediar a atividade.
Há ainda uma divergência dentro do próprio nome. O texto oficial grafa a sigla como IPC/ES, sufixo que sugere abrangência estadual, enquanto o nome por extenso é de um instituto do município de Cariacica. O material usa as duas formas na mesma frase e não concilia uma com a outra.
O que a nota oficial não informa
- quantas das mais de 50 pessoas presentes eram idosas: o número vem como piso, não como contagem fechada, e não há divisão entre servidores e comunidade;
- se a participação foi gratuita e se houve inscrição prévia;
- como uma entidade, um condomínio, uma igreja ou um grupo de moradores pode pedir uma palestra igual à delegacia especializada;
- se a aproximação entre os dois órgãos continua depois do Junho Violeta;
- quantos atendimentos, denúncias ou investigações a delegacia especializada registra em Cariacica ou no Espírito Santo;
- o mês e o ano da data: o material escreve apenas quinta-feira (5). A divulgação oficial é de junho de 2025.
Uma voz só, e ela é institucional
O material traz uma única declaração, da delegada titular da DEPPI, e ela trata do compromisso das duas instituições com a proteção da pessoa idosa e com o incentivo à denúncia. Não acrescenta dado sobre o público, sobre o que foi perguntado na plateia nem sobre o que a delegacia especializada tem encontrado no município. Não há fala de participante, de servidor do instituto ou de qualquer pessoa idosa que tenha assistido — e ausência de crítica em documento de órgão público não é sinal de consenso, é característica do gênero.
Registro de contexto: ações de palestra promovidas por forças policiais no município já apareceram antes com outro público e outro tema. Em 2022, a PRF anunciou uma palestra sobre profissões para jovens em Cariacica — outro órgão, outro assunto e outro momento, sem relação com a atividade descrita aqui.
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