
Hoje, 11 de abril, é o Dia da Escola de Samba, data comemorativa cultural que não é feriado em nenhum lugar do país.
O que se comemora no Dia da Escola de Samba
A data celebra as escolas de samba como instituição cultural brasileira, e não uma agremiação específica isolada. A escolha do dia, porém, está diretamente ligada à história de uma única escola: a Portela, cujo aniversário de fundação deu origem à efeméride que hoje é usada para falar de todo o universo do samba — compositores, baterias, alas, comunidades de bairro e a tradição oral que sustenta o carnaval carioca.
O samba, como manifestação cultural, atravessou décadas de preconceito antes de ganhar o reconhecimento que tem hoje, e boa parte dessa trajetória foi sustentada justamente pelas escolas de samba e pelas comunidades de bairro que as mantêm vivas ano após ano, muito antes de qualquer reconhecimento oficial mais amplo.
A origem no subúrbio do Rio de Janeiro
Em 11 de abril de 1923, no bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro, Paulo Benjamim de Oliveira — o Paulo da Portela — e seus companheiros fundaram um bloco carnavalesco que passou por vários nomes ao longo dos anos, até se tornar, em 1935, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. A Portela é hoje a agremiação com mais títulos da história do carnaval carioca, e a data de fundação do bloco original, 11 de abril, foi adotada como Dia da Escola de Samba.
Uma data com divergência entre pesquisadores
Nem todo historiador do samba concorda com o ano de fundação: parte da pesquisa acadêmica defende 1926 como marco mais correto. Mesmo assim, 1923 é o ano oficialmente assumido pela própria escola, e é essa versão que sustenta a efeméride de 11 de abril, hoje aplicada de forma mais ampla a todas as escolas de samba do Brasil.
Esse tipo de divergência é comum quando a origem de uma tradição popular depende mais da memória de quem viveu o período do que de registros escritos contemporâneos, o que reforça a importância de contar essas histórias, mesmo com suas imprecisões, em vez de deixá-las se perderem.
Por que não existe lei para o Dia da Escola de Samba
Não foi localizada lei ou decreto federal instituindo o Dia da Escola de Samba. A data tem origem comunitária e carnavalesca, fixada pelo aniversário de fundação do bloco que deu origem à Portela — não por decisão de um parlamento. Sem norma, não há autoria de projeto, sanção presidencial nem votação para apurar: a efeméride simplesmente nasceu dentro da comunidade do samba e se espalhou pelo costume.
No lugar de uma norma federal, o que sustenta o 11 de abril é o costume da própria comunidade do samba: escolas, agremiações e estudiosos do gênero adotaram a data por reconhecerem na fundação da Portela um marco simbólico para toda a categoria, não porque um órgão público tenha determinado isso. Nenhuma prefeitura, secretaria de cultura ou conselho de classe aparece nas fontes como responsável pela instituição formal da data — o que existe é reconhecimento espontâneo, repetido ano após ano pelas próprias escolas de samba.
Como a data é lembrada hoje
O Dia da Escola de Samba é usado por agremiações, escolas de samba de todo o país e veículos de comunicação para relembrar a trajetória de Paulo da Portela e de seus companheiros, e para valorizar o samba como manifestação cultural que nasceu nos subúrbios e conquistou reconhecimento nacional. A data também serve de gancho para falar da preservação da memória das escolas mais antigas, muitas delas ligadas a comunidades que sustentam o carnaval até hoje.
Reconhecer esse tipo de história é também uma forma de reconhecer que boa parte da cultura popular brasileira nasceu fora dos livros escolares, sustentada pela memória oral de compositores, mestres de bateria e famílias inteiras dedicadas ao samba. O Dia da Escola de Samba serve como lembrete de que essa memória precisa de registro e de espaço, inclusive fora do período de carnaval.
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