imagem de Nossa Senhora das Mercês em altar de igreja católica cercada de velas

Nossa Senhora das Mercês: a devoção celebrada em 24 de setembro

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Foto: Robert So / Pexels

Em 24 de setembro a Igreja Católica celebra Nossa Senhora das Mercês. A devoção nasceu na Espanha, chegou ao Brasil pelas mãos de frades e não está ligada a nenhuma lei ou decreto civil.

Quem é Nossa Senhora das Mercês

Nossa Senhora das Mercês é uma invocação mariana surgida na Espanha e difundida pelos frades da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada por São Pedro Nolasco no século 13 com a missão de resgatar cristãos cativos dos mouros. A palavra “mercês” significa favor, gentileza e obra de misericórdia, e por isso a invocação é tradicionalmente ligada à proteção de presos e cativos.

Essa origem explica por que, mesmo séculos depois e em outro continente, Nossa Senhora das Mercês continua associada à ideia de liberdade e de amparo a quem vive privado dela.

Essa origem medieval ajuda a explicar por que a data segue viva ainda hoje, mesmo em regiões muito distantes da Espanha onde a devoção nasceu, carregando um simbolismo que atravessou séculos e continentes sem perder força.

A origem da devoção, da Espanha ao Brasil

Segundo a Arquidiocese de Manaus, a devoção a Nossa Senhora das Mercês passou por Portugal antes de ser trazida ao Brasil pelos frades mercedários. Aqui, floresceram confrarias formadas principalmente por pessoas escravizadas, que tinham Nossa Senhora das Mercês como padroeira de sua libertação, um sentido que dialoga diretamente com a origem da ordem religiosa, voltada ao resgate de cativos.

Essa dupla camada de significado, a do resgate de prisioneiros na Europa medieval e a da libertação buscada pelas confrarias no Brasil colonial, explica por que a imagem de Nossa Senhora das Mercês segue associada, até hoje, à ideia de proteção de quem está preso ou cativo.

O fato de a devoção ter atravessado território europeu antes de se consolidar no Brasil mostra como práticas religiosas podem se transformar ao longo do caminho, ganhando novos significados sem perder o núcleo original de proteção e libertação que a acompanha desde sua origem.

Por que não há lei que marque a data

Não há lei, decreto ou projeto de lei envolvido na comemoração de 24 de setembro. Trata-se de uma memória litúrgica da Igreja Católica, fixada no calendário romano, sem qualquer norma estatal brasileira a votar ou a sancionar. A data existe porque a Igreja a reserva no seu próprio calendário de santos e devoções, não porque algum poder público a tenha criado.

Isso não torna a data menos relevante: apenas evidencia que nem toda comemoração amplamente celebrada no Brasil depende de reconhecimento oficial do poder público, bastando a força da tradição para mantê-la viva ano após ano.

Isso diferencia Nossa Senhora das Mercês de boa parte das datas comemorativas civis: aqui, quem determina o dia é a tradição religiosa, e a permanência da data depende da prática dos fiéis e das paróquias, não de uma norma que precise ser cumprida ou fiscalizada por qualquer órgão do Estado.

Como a data é celebrada hoje

Nas paróquias e comunidades devotas de Nossa Senhora das Mercês, 24 de setembro costuma reunir missas e momentos de oração dedicados à invocação. A referência histórica ao resgate de cativos e à busca por libertação segue presente no imaginário popular ligado à santa, reforçando o caráter de proteção que a tradição atribui a essa devoção mariana desde sua origem espanhola até sua chegada ao Brasil.

Mesmo sem qualquer respaldo legal, a data resiste porque é sustentada pela fé e pela prática comunitária, o que mostra como uma comemoração pode se manter viva por séculos apoiada apenas na tradição religiosa, sem depender de lei alguma para existir no calendário.

Em muitas comunidades, a celebração também é ocasião para lembrar a história das confrarias formadas por pessoas escravizadas, um capítulo pouco conhecido, mas que ajuda a entender por que a devoção ganhou tanta força em terras brasileiras.

Outras datas de setembro

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