
Hoje, 11 de dezembro, é o Dia do Engenheiro no Brasil, data dedicada a quem exerce a engenharia. Não é feriado — e o decreto usado para explicar a data não criou, na letra da lei, comemoração alguma.
O que se comemora no Dia do Engenheiro
O Dia do Engenheiro homenageia quem exerce essa profissão no Brasil. Mas vale já adiantar um detalhe que muda a leitura da data: ela é comemorada, oficialmente, como Dia do Engenheiro, do Arquiteto e do Agrônomo — não apenas do engenheiro —, porque a norma que deu origem a essa tradição tratou dessas três profissões ao mesmo tempo, e não só de uma delas.
A origem: o Decreto nº 23.569, de 1933
A data remete ao Decreto nº 23.569, de 11 de dezembro de 1933, disponível no site do Palácio do Planalto. O texto regula o exercício das profissões de engenheiro, de arquiteto e de agrimensor, e foi essa regulação que montou a estrutura que depois deu origem ao sistema Confea/Crea, hoje responsável pelo registro e pela fiscalização dessas profissões no país.
O decreto foi assinado pelo Chefe do Governo Provisório, sem passar por votação no Congresso Nacional — porque o Congresso estava dissolvido naquele momento. Por isso, não existe placar de votação para se informar aqui: o texto nasceu de ato do próprio Executivo, não de processo legislativo com Câmara e Senado. O decreto ainda sofreu alterações posteriores por decretos-leis de 1941, 1945 e 1946, conforme as remissões registradas no próprio texto oficial do Planalto.
Esse detalhe sobre a ausência de Congresso em funcionamento também ajuda a explicar por que o texto tem formato de decreto, editado diretamente pelo Executivo, e não de lei votada em duas casas legislativas. É uma diferença de origem que muitas vezes passa despercebida quando se lê apenas o número e o ano da norma, sem checar como ela foi de fato produzida.
O decreto que não criou o Dia do Engenheiro
Aqui está o ponto mais importante desta apuração: o Decreto nº 23.569/1933 não institui data comemorativa nenhuma. Ele regula o exercício profissional de engenheiro, arquiteto e agrimensor — ponto final. Não existe, no texto do decreto, nenhum artigo dizendo que 11 de dezembro passa a ser comemorado como dia de alguma dessas profissões.
O que existe, na prática, é uma associação de calendário: 11 de dezembro é lembrado porque é a data de assinatura desse decreto, não porque uma lei determinou expressamente essa comemoração. É uma diferença que muda tudo para quem estuda como nascem as datas comemorativas brasileiras — nem toda data associada a uma norma nasceu, de fato, daquela norma para ser comemoração. Às vezes, a comemoração é construção posterior, que usa o aniversário de um texto legal como gancho, sem que o próprio texto tenha essa intenção.
Como a data ficou também do arquiteto e do agrônomo
A regulação ampla trazida pelo decreto de 1933 vigorou por décadas até a profissão ser reorganizada de forma mais completa pela Lei nº 5.194, de 1966. Mesmo com essa reorganização posterior, o 11 de dezembro seguiu como a data de referência no calendário — e seguiu carregando as três profissões que o decreto original tratou juntas: engenharia, arquitetura e agrimensura, esta última hoje ligada à atividade do agrônomo dentro dessa tradição de calendário.
Fica a lição para quem lê datas comemorativas com atenção: encontrar uma norma na origem de uma data não significa que essa norma criou a data. O Dia do Engenheiro é prova direta disso — o decreto que costuma ser citado como sua origem trata de outro assunto, e é o aniversário dele, não uma ordem escrita, que sustenta a comemoração até hoje.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

