
28 de julho é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, data que lembra que hepatite B e hepatite C continuam entre as doenças que mais matam por ano sem ocupar manchete. A escolha do dia presta uma homenagem pouco conhecida, e a lei brasileira que costuma ser citada ao lado da data trata, na verdade, de outra coisa: do mês inteiro de julho, não do dia 28 especificamente.
De onde vem o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais
Em maio de 2010, a 63ª Assembleia Mundial da Saúde aprovou a Resolução WHA63.18, sobre hepatites virais, fixando o 28 de julho como Dia Mundial contra as Hepatites. A escolha do dia não é aleatória: é o aniversário de nascimento do médico norte-americano Baruch Samuel Blumberg, nascido em 1925 e morto em 2011, que identificou o vírus da hepatite B e desenvolveu o primeiro teste de triagem e a primeira vacina contra ele. O trabalho lhe rendeu o Nobel de Medicina de 1976. Homenagear Blumberg com a própria data de nascimento foi a forma encontrada de lembrar que a descoberta de um único pesquisador mudou o destino de milhões de pessoas expostas ao vírus pelo mundo.
O que a lei brasileira realmente institui
É comum encontrar o 28 de julho descrito como se existisse lei federal brasileira específica para ele. Não existe. A norma que aparece associada à data é a Lei nº 13.802, sancionada em 2019, e o texto dela não cita o dia 28 em lugar nenhum. A ementa diz:
Institui o Julho Amarelo, a ser realizado a cada ano, em todo o território nacional, no mês de julho, quando serão efetivadas ações relacionadas à luta contra as hepatites virais.
O artigo 1º repete a mesma fórmula do mês inteiro e também não menciona o dia 28. O objeto da Lei nº 13.802/2019 é o mês de julho, batizado Julho Amarelo — e o mês foi escolhido justamente por conter a data internacional de 28 de julho, mas a lei não a nomeia dentro do próprio texto. Por isso não existe, em norma federal brasileira, um dia comemorativo do 28 de julho propriamente dito: o que existe é a campanha do mês inteiro, e a data pontual vem de fora, da Organização Mundial da Saúde.
Hepatites B e C: um inimigo que não avisa
Hepatites B e C atacam o fígado e costumam evoluir de forma silenciosa por anos, sem sintoma que chame atenção de quem está infectado. O diagnóstico tardio é a regra, não a exceção, e é esse silêncio que torna a campanha de julho necessária: quem não sabe que carrega o vírus não se trata, não se cuida e pode transmitir a infecção sem perceber. A hepatite B tem vacina disponível desde a infância; a hepatite C não tem vacina, mas tem tratamento capaz de curar a maior parte dos casos quando descoberta a tempo, o que torna o teste ainda mais decisivo.
O teste está na unidade básica de saúde
O Sistema Único de Saúde oferece teste rápido e gratuito para hepatites virais nas unidades básicas de saúde, o mesmo posto onde o morador de Guarapari e de outras cidades do Espírito Santo já vai para vacina e pré-natal. O teste é simples, sai o resultado em minutos e, na maior parte dos serviços, não exige agendamento especial. Para quem nunca fez, o 28 de julho funciona como lembrete direto: procurar a unidade mais próxima e perguntar pelo teste rápido de hepatites é o gesto concreto que a data pede, mais do que qualquer publicação sobre a efeméride em si. O convite vale também para quem já foi vacinado contra a hepatite B na infância e nunca soube o resultado, porque a proteção da vacina não dispensa a confirmação: só o exame mostra se a imunização funcionou e se há sinal de contato anterior com o vírus que precise de acompanhamento clínico.
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