
Hoje, 11 de outubro, é o Dia de São João XXIII, papa que convocou um concílio e mudou o rosto da Igreja Católica em menos de três meses de mandato. A data não tem nenhuma lei brasileira por trás: é escolha só da própria Igreja.
Quem foi o papa do Dia de São João XXIII
Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em 1881 numa família de camponeses de Sotto il Monte, no norte da Itália, foi capelão militar na Primeira Guerra, diplomata da Santa Sé na Bulgária, na Turquia e na França e patriarca de Veneza antes de ser eleito papa em 1958, aos 76 anos.
Antes de chegar ao papado, Roncalli já somava décadas de experiência diplomática em países de tradição religiosa diferente da católica, o que ajuda a explicar a abertura que demonstraria à frente da Igreja anos depois.
Essa trajetória, passando por regiões de maioria religiosa distinta da católica durante o período em que serviu como diplomata, é um dado que biógrafos costumam citar para explicar a disposição que ele teria, já como papa, para dialogar com realidades diferentes.
A expectativa era de um pontificado curto e sem novidade. Menos de três meses depois ele convocou o Concílio Vaticano II, que abriu em 11 de outubro de 1962 e mudou o rosto da Igreja Católica no mundo inteiro — a missa passou a ser celebrada na língua de cada país, o padre virou-se para o povo, os leigos ganharam espaço.
Bispos do mundo inteiro, incluindo os brasileiros, passaram a debater juntos, em sessões que se estenderam por anos, temas como liturgia, liberdade religiosa e a relação da Igreja com o mundo moderno — um processo que continuou mesmo depois da morte do papa que o havia convocado.
O Concílio só terminaria anos depois de sua morte, conduzido por seu sucessor, mas o impulso inicial e a decisão de convocá-lo continuam sendo creditados a ele — um raro caso de reforma de longo prazo iniciada por um pontificado que a própria Igreja esperava que fosse breve.
A origem apurada de uma data que foge à regra
A memória de São João XXIII foi inscrita no calendário romano em 11 de outubro por decisão pontifícia, e a data não é a da morte do papa, ocorrida em 1963, mas a da abertura do Concílio Vaticano II — critério excepcional, já que o calendário costuma celebrar o dia do falecimento.
A apuração encontrou uma diferença que vale registrar: o calendário dos santos do portal do Vaticano destaca em 11 de outubro São Filipe, diácono, porque a memória de João XXIII é facultativa; as duas celebrações convivem no mesmo dia.
O que a lei brasileira diz sobre a data
Não há norma brasileira envolvida. É decisão interna da Igreja Católica, sem qualquer lei, decreto ou projeto do Congresso Nacional por trás — o mesmo vale para a canonização de João XXIII, feita pelo papa Francisco em 2014, no mesmo dia da canonização de João Paulo II.
O que mudou no Brasil depois do concílio
No Brasil o efeito do Concílio Vaticano II foi enorme: as comunidades eclesiais de base, as pastorais e a leitura popular da Bíblia são filhas diretas desse concílio. É também a partir dele que a Igreja brasileira reabriu espaço para devoções e festas populares que a romanização do começo do século 20 havia tentado disciplinar.
Esse movimento de abertura, iniciado num pontificado que devia durar pouco, ainda é lembrado como um dos pontos de virada mais citados quando se explica por que a Igreja Católica de hoje é tão diferente da que existia antes do concílio.
O Dia de São João XXIII lembra que uma reforma pensada para durar pouco pode mudar uma instituição inteira. A data segue no calendário só por decisão da própria Igreja — sem uma linha de lei brasileira envolvida.
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