
Hoje, 28 de outubro, é o Dia de São Judas Tadeu, apóstolo que virou padroeiro das causas impossíveis por causa da própria confusão com o nome de outro apóstolo. A devoção é uma das maiores do catolicismo urbano brasileiro.
Quem é o apóstolo do Dia de São Judas Tadeu
Judas Tadeu é um dos doze apóstolos e é chamado assim para não ser confundido com Judas Iscariotes, o que traiu Jesus — e essa confusão de nome é justamente a explicação tradicional para a devoção que ele recebe hoje.
O peso de carregar um nome associado à traição, mesmo sendo pessoa diferente, marcou a forma como os fiéis se relacionaram com Judas Tadeu ao longo de séculos de história da Igreja, antes de a devoção se inverter por completo.
A origem apurada do título de padroeiro das causas impossíveis
Durante séculos os fiéis evitaram invocá-lo por causa do nome, de modo que ele teria ficado disponível para os pedidos que ninguém mais quer, os casos perdidos. O título de padroeiro das causas impossíveis, que é o motor da devoção, é atribuição popular, sem decreto pontifício que o fixe.
O que diz o calendário sobre a data
Não há norma brasileira instituindo o Dia de São Judas Tadeu — é festa do calendário litúrgico romano. Um detalhe que a apuração manteve: o calendário do portal do Vaticano registra em 28 de outubro a festa conjunta dos apóstolos Simão e Judas Tadeu, e não apenas de Judas.
No Brasil o costume popular apagou Simão do cartaz, e a data virou, na prática, o dia de São Judas Tadeu. Não existe lei, decreto ou projeto do Congresso Nacional envolvido em nenhum dos dois nomes.
Como a devoção aparece hoje no Brasil
No Brasil a devoção é uma das maiores do catolicismo urbano. O santuário dedicado a ele no bairro do Jabaquara, em São Paulo, recebe filas que dobram quarteirões todo dia 28 de cada mês, e a festa de outubro reúne centenas de milhares de pessoas em missas que se sucedem de hora em hora.
A devoção também é popular entre torcedores, motoristas e desempregados, e cresceu no país sem qualquer promoção institucional — nasceu de baixo, de bilhete em bilhete de agradecimento, o que a torna um bom retrato do catolicismo brasileiro feito pelos leigos.
A escala da devoção surpreende quem vê de fora: filas que se formam ainda de madrugada, ocupando quarteirões inteiros ao redor do santuário, tornaram o dia 28 de cada mês, e especialmente o de outubro, um dos eventos religiosos mais concorridos do calendário urbano de São Paulo.
Essa expansão sem apoio de campanha organizada é rara entre devoções populares: normalmente cresceram junto com paróquias e ordens religiosas, enquanto a fila do Jabaquara se formou pelo simples boca a boca de quem dizia ter tido um pedido atendido.
A distinção que os fiéis fazem hoje entre Judas Tadeu e Judas Iscariotes levou séculos para se firmar — e é justamente essa demora histórica que explica por que a devoção só ganhou a força atual em tempos mais recentes.
A leitura mais comum entre quem estuda a devoção é que o próprio peso do nome, associado por séculos à traição, tornou Judas Tadeu o santo mais acessível para quem já tentou de tudo e não teve resposta em nenhum outro lugar — um último recurso que, paradoxalmente, virou uma das devoções mais concorridas do calendário católico urbano.
O Dia de São Judas Tadeu mostra como um mal-entendido de nome, repetido por séculos, pode virar a maior fila de fiéis de um bairro inteiro. A devoção segue sem precisar de nenhuma lei — só de bilhete de agradecimento em bilhete de agradecimento.
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