
Hoje, 15 de janeiro, é o Dia de Santo Amaro, quando a Igreja lembra o santo apontado como primeiro discípulo de São Bento de Núrsia. Não existe lei federal que institua a data: ela vem do calendário litúrgico e da devoção popular, mantida havia séculos sem depender de norma alguma.
O que se comemora no Dia de Santo Amaro
Santo Amaro é o nome que o português deu a São Mauro, tido como o primeiro discípulo de São Bento de Núrsia. Ainda menino, foi entregue ao mosteiro pelo próprio pai, o senador romano Equício, e cresceu sob a formação do fundador da ordem beneditina.
A cena que fixou sua fama está nos Diálogos de São Gregório Magno: mandado por Bento a socorrer o jovem Plácido, que se afogava, Amaro andou sobre as águas e só percebeu o que havia feito depois de puxar o rapaz para a margem — atribuindo o milagre à obediência ao mestre, e não a si mesmo.
A origem apurada de Santo Amaro
A tradição beneditina atribui a Amaro a fundação, em 535, do primeiro mosteiro da ordem em terras francesas, em Glanfeuil, no Anjou — relato que vem de uma vida escrita séculos depois e sobre o qual os historiadores divergem. Também há divergência sobre o ano da morte: as fontes devocionais brasileiras oscilam entre 567 e 584, mas concordam que foi num dia 15 de janeiro, data em que o Martirológio Romano e a própria Ordem beneditina o celebram até hoje.
No Brasil, a devoção seguiu caminho próprio: Amaro passou a ser o santo a quem se pede alívio de dor de cabeça, reumatismo, artrite, artrose e dores do corpo em geral, com fiéis que pagam promessa em forma de ex-voto. O nome do santo batizou cidades e bairros inteiros, de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, ao antigo povoado de Santo Amaro que hoje é bairro de São Paulo.
O que diz a lei sobre a data
Não existe lei federal que institua 15 de janeiro como Dia de Santo Amaro: a data nasce do calendário litúrgico da Igreja, não de decisão do Congresso. Também não há registro de reconhecimento como patrimônio cultural para essa festa especificamente — a consulta a esse tipo de acervo não confirmou o bem, e por isso nada é afirmado a respeito.
Vale lembrar que, desde 2010, a Lei nº 12.345 fixa o critério para qualquer data comemorativa nova entrar no calendário nacional, exigindo comprovação de alta significação e consultas e audiências públicas documentadas. É uma exigência que ajuda a explicar por que uma festa que atravessou séculos, como esta, segue sem nenhuma lei federal própria.
Como o Dia de Santo Amaro é celebrado hoje
A festa de Santo Amaro é sustentada por novena, procissão, bênção e quermesse, mantidas por irmandades e devotos leigos muito antes de a hierarquia da Igreja, na virada do século XIX para o XX, puxar o culto para dentro da paróquia e para a figura do padre. Esse movimento, conhecido como romanização, ajuda a explicar por que tantas festas de santo no Brasil sobreviveram como cultura popular, tocadas pela comunidade, sem uma linha de lei que as ampare.
É esse o formato que se repete todo 15 de janeiro em comunidades de devotos: reza, promessa, procissão pelas ruas e comida de quermesse no fim, num ciclo que não depende de decreto para se manter vivo — apenas da fé de quem o mantém ano após ano.
Em resumo, o Dia de Santo Amaro lembra, em 15 de janeiro, o discípulo de São Bento de Núrsia tido pela tradição como capaz de andar sobre as águas por obediência ao mestre. Sem lei federal que a institua, a festa segue viva pela força da devoção popular, sustentada por novenas, procissões e promessas que atravessam gerações.
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