Estudantes da EJA escrevem cordel e montam mural em Ibiraçu

Estudantes do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Narceu de Paiva Filho, em Ibiraçu, viraram autores: escreveram poemas em versos rimados e penduraram cada folha num mural que eles mesmos montaram, aberto a quem circula pela escola. A experiência com literatura de cordel na EJA coube a duas disciplinas do currículo comum, e foi divulgada pela Sedu em 12 de setembro de 2024 sob o nome Literatura de Cordel: poesia, cultura e tradição em cada verso!.

Como a literatura de cordel na EJA venceu a página em branco

A primeira reação da turma não foi entusiasmo. Diante da proposta, os estudantes travaram na pergunta mais básica de quem nunca escreveu poesia: o que colocar no papel. A saída adotada em sala foi trocar a explicação teórica por exemplo concreto — a professora exibiu curtas-metragens para que a turma visse, e não apenas ouvisse, como o gênero se organiza em rima e métrica antes de tentar produzir o próprio texto.

De início, quando apresentei a proposta, os estudantes ficaram inseguros: o que escrever? Como escrever? Dessa maneira, optei em passar curtas metragens mostrando características do cordel, o que trouxe à tona, criatividade e encorajamento. Trabalhar esse projeto com os estudantes da EJA foi muito satisfatório. Eles ficaram curiosos, leram e escreveram por meio de rimas, capricharam nos poemas e se dedicaram às atividades propostas. Valeu a pena!

O relato é da professora de Língua Portuguesa Vanessa Pereira, que conduziu a proposta em sala.

Português e Arte dividiram a mesma tarefa

O trabalho ocupou dois componentes curriculares ao mesmo tempo, cada um com uma entrega própria:

  • Língua Portuguesa — leitura de cordéis já publicados, estudo da estrutura do gênero e produção dos poemas. O ponto de partida foi a vida de quem estava na sala: família, trabalho, o lugar onde se mora e problemas sociais entraram como matéria-prima, em vez de tema abstrato dado pela professora.
  • Arte — a turma estudou xilogravura e decorou os prendedores usados para fixar os poemas no painel. Ou seja, a ilustração não ficou só na folha: virou o próprio suporte da exposição.

O resultado final foi para um mural montado para a comunidade escolar. Não se trata, portanto, de trabalho entregue à professora e devolvido com nota: o texto de cada estudante ficou exposto para ser lido por quem frequenta a escola.

Uma avó de 69 anos escreveu sobre os netos

Entre os autores está Maria Santa Auer de Paulo Depizzol, de 69 anos, que escolheu o próprio papel na família como assunto e escreveu fora da sala de aula — no quintal de casa. O poema dela recebeu título e virou personagem: um neto travesso.

Eu e meus colegas fizemos a leitura de vários cordéis. Cada um usou um tema diferente do seu dia a dia; isso foi muito legal. Eu escrevi meu poema de cordel no meu próprio quintal de casa. Escrevi sobre meus netos e meu cordel se chamou ‘Menino travesso’

O depoimento é da estudante Maria Santa Auer de Paulo Depizzol.

Cordel, xilogravura e EJA: o que cada termo quer dizer

  • Cordel — gênero popular escrito em versos rimados e com métrica regular, tradicionalmente impresso em folhetos baratos e vendidos avulsos. Costuma narrar histórias do cotidiano, causos e crítica social em linguagem falada, o que o torna acessível a quem tem pouca familiaridade com poesia formal.
  • Xilogravura — técnica de gravura em que o desenho é entalhado numa matriz de madeira e depois carimbado no papel. É a ilustração historicamente associada às capas dos folhetos de cordel.
  • EJA — sigla de Educação de Jovens e Adultos, a modalidade destinada a quem não concluiu o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio na faixa etária esperada. Aqui a turma era de Ensino Médio.

É iniciativa de uma escola, não política da rede

O que foi divulgado é a experiência de uma turma, numa única escola, já concluída com a montagem do mural. A distinção importa para quem lê e pensa em cobrar o mesmo em outra unidade: no material divulgado não há anúncio de ampliação para outras escolas, nem calendário de repetição, nem promessa de que os poemas serão impressos ou publicados. Projeto pedagógico de professor não é programa de rede — são coisas de escala e de garantia diferentes.

O que o material divulgado não informa

  • Quantos estudantes participaram e quantos poemas foram produzidos.
  • Quando o projeto começou, quanto tempo durou e se o mural continua exposto.
  • Se a atividade valeu como avaliação nas duas disciplinas.
  • Se os textos serão reunidos em folheto, livro ou publicação digital.
  • Se a escola pretende repetir a proposta com outras turmas.
  • Qual professor conduziu a parte de Arte — só a docente de Língua Portuguesa é nominada.
  • Onde e em que horário o público de fora da escola poderia ver o mural. Nenhum endereço, telefone ou canal de contato foi divulgado junto com a informação.

Vale registrar, por fim, que todo o relato parte de comunicação oficial da Sedu, que divulga resultado de trabalho da própria rede. Não há no material avaliação independente sobre aprendizagem, nem manifestação de estudantes que tenham tido dificuldade com a proposta — e ausência de crítica num texto institucional não é o mesmo que consenso.

Leia também no Direto Notícias

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

Imagem ilustrativa relacionada a Dia da Criação do IBGE

Dia da Criação do IBGE: o decreto assinado por Vargas em 1934

6 de julho é o Dia da Criação do IBGE, que lembra o Decreto 24.609/1934, assinado por Getúlio Vargas.

Your Mastodon Instance
Share to...