Curso de computação nas escolas do ES: prazo encerrado

A inscrição desta chamada está encerrada desde 14 de março de 2025. O comunicado publicado pela Secretaria da Educação (Sedu) no início daquele mês convidava unidades de ensino a manifestar interesse em abrir um curso de computação nas escolas do ES, em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes). O registro abaixo vale como memória do que foi oferecido e das condições exigidas — não como convite para se candidatar.

Antes de tudo, uma confusão que o anúncio original ajudava a criar e que vale desfazer: quem preenchia o formulário não era o estudante nem o professor, e sim a escola. A unidade se candidatava a receber a oferta; o aluno só entraria na história depois, caso a escola dele fosse escolhida.

O que era o curso de computação nas escolas do ES

O nome oficial da iniciativa é longo e aparece assim no material da Sedu: MOOCs de Lovelace: Curso Híbrido de Pensamento Computacional, Programação e Robótica Educacional na Perspectiva da Educação 5.0.

Segundo o texto da secretaria, a proposta buscava fortalecer o ensino da computação, com atenção especial ao público feminino. O comunicado, porém, não descreve nenhum mecanismo para isso: não há reserva de vagas, meta numérica ou critério de desempate a favor de meninas em nenhum trecho.

Como o curso funcionaria, segundo o material oficial

  • Formato: híbrido, combinando oficinas presenciais e cursos on-line no formato de MOOCs (Massive Open Online Courses).
  • Lugar no currículo: disciplina eletiva.
  • Duração: um semestre.
  • Capacidade: até 40 estudantes por escola.
  • Turnos: matutino ou vespertino.
  • Janelas de oferta previstas: de março a junho ou de agosto a novembro, em 2025 ou 2026.

Duas expressões do nome pedem tradução. MOOC é a sigla em inglês para curso on-line aberto, desenhado para atender muita gente ao mesmo tempo — o próprio comunicado abre a sigla, mas não explica o conceito. Já Educação 5.0 aparece no título do curso e não é definida em lugar nenhum do texto divulgado.

Quem podia se candidatar e o que a escola precisava ter

A chamada era restrita a escolas da Rede Pública Estadual, com prioridade declarada para cinco municípios: Bom Jesus do Norte, Iúna, Alegre, Castelo e Conceição da Barra. O material não explica por que essas cinco cidades foram escolhidas nem se as demais tinham chance real de seleção.

A unidade interessada também precisava comprovar estrutura. Os requisitos divulgados eram:

  • laboratório próprio com, pelo menos, 20 computadores — notebooks ou desktops — rodando Windows; ou, em alternativa, laboratório móvel com Chromebooks;
  • boa conexão com a internet;
  • espaço adequado para atividades dinâmicas.

Esse conjunto funcionava como filtro de entrada: a escola que não reunisse as 20 máquinas em funcionamento simultâneo ficava de fora antes mesmo de qualquer análise pedagógica da candidatura.

Como as escolas seriam escolhidas

Três critérios de seleção foram divulgados: estar em um dos municípios prioritários, a ordem em que a inscrição chegou e o período escolhido para a oferta. O comunicado não informa o peso de cada um deles, não diz quantas vagas de escola existiam nem estabelece prazo para a divulgação do resultado.

Não havia canal para ser avisado da próxima turma

Este é o ponto mais útil para quem chega à página depois do prazo, e é também o que a comunicação oficial deixou em branco. O material não informa se a chamada se repetiria. Não há calendário de formações, não há menção a uma segunda edição e não foi divulgado nenhum e-mail, telefone ou página de acompanhamento onde uma escola pudesse se cadastrar para ser avisada. O único endereço oferecido era o formulário daquela inscrição, com data para fechar.

Além disso, o comunicado não responde:

  • quantas escolas seriam contempladas e quantas chegaram a se inscrever;
  • qual foi o resultado da seleção e quais unidades ficaram com as turmas;
  • se haveria algum custo para a escola, para a família ou para o estudante;
  • quem ministraria as oficinas presenciais e em que local elas ocorreriam;
  • a carga horária em horas — o texto fala apenas em um semestre;
  • se a conclusão do curso gera certificado para o estudante.

Vale registrar ainda que o documento é comunicação oficial de governo e apresenta um lado só. Não há no material avaliação de diretores, professores ou estudantes sobre a proposta — e a ausência de crítica em um comunicado de secretaria não equivale a consenso sobre ele.

Onde era feita a inscrição

A manifestação de interesse era registrada em um formulário on-line divulgado pela Sedu, que recebia respostas até 14 de março de 2025. Esse prazo passou, e o endereço fica aqui apenas como registro do documento original da chamada. As janelas de oferta previstas na época se estendiam até novembro de 2026, mas valiam somente para as escolas selecionadas naquela inscrição.

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