
Hoje, 1º de julho, é o Dia da Vacina BCG. A data lembra o anúncio, em 1921, da bactéria atenuada que deu origem ao imunizante ainda aplicado em recém-nascidos no Brasil.
O que é o Dia da Vacina BCG
O Dia da Vacina BCG é uma data comemorativa de saúde, de baixa repercussão fora do calendário técnico, que marca a origem do imunizante contra formas graves de tuberculose. A sigla BCG vem de bacilo de Calmette e Guérin, nome dado à cepa atenuada que deu origem à vacina.
É importante corrigir um erro que circula em veículos de comunicação: a vacina não leva o nome de “Léon Calmette e Alphonse Guérin”, grafia que aparece em alguns portais. Segundo o registro do Institut Pasteur, os nomes corretos são Albert Calmette, médico, e Camille Guérin, veterinário.
A origem da vacina, do Instituto Pasteur ao Brasil
A história começa em 1º de julho de 1921, quando pesquisadores do Instituto Pasteur anunciaram à Academia de Medicina da França a bactéria atenuada batizada de bacilo de Calmette e Guérin. Essa cepa foi obtida a partir de uma amostra de Mycobacterium bovis isolada em 1908, depois de anos de manipulação em laboratório para reduzir sua capacidade de causar doença.
No Brasil, o pesquisador Arlindo de Assis, então ligado ao Instituto Vital Brazil, recebeu em 1925 uma amostra dessa cepa enviada por um pesquisador uruguaio. A vacinação com BCG começou efetivamente no Rio de Janeiro em 1927, por iniciativa da Liga Brasileira contra a Tuberculose, presidida por Ataulpho de Paiva.
Passaram-se ainda cinco décadas até a vacina ganhar status de política pública nacional: só em 1977 o imunizante entrou no Calendário Básico de Vacinação do Brasil, tornando-se rotina nas maternidades do país.
Recapitulando a linha do tempo: o anúncio da bactéria atenuada ocorreu em 1921, a amostra chegou ao Brasil em 1925, a primeira aplicação em larga escala começou no Rio de Janeiro em 1927, e a entrada definitiva no calendário nacional de vacinação só veio em 1977. Entre a descoberta em laboratório e a rotina em maternidades brasileiras, passaram-se mais de cinco décadas.
O que diz a lei sobre o Dia da Vacina BCG
Não existe lei, decreto ou portaria federal instituindo o Dia da Vacina BCG. A busca por norma foi feita diretamente no Planalto e nas bases de tramitação da Câmara e do Senado, e nenhum ato normativo foi localizado.
A data circula como efeméride do calendário de saúde, replicada pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde e por órgãos públicos, como o TJDFT. Nenhuma dessas fontes cita lei, decreto ou portaria como origem do dia — por isso não há autoria, sanção ou votação para relatar, e também não há projeto em tramitação a acompanhar. Os campos jurídicos ficam vazios porque não existe ato para preenchê-los, não porque a apuração tenha sido incompleta.
Como a data é marcada hoje
Sem calendário legal que obrigue qualquer celebração, o Dia da Vacina BCG segue como referência dentro do próprio sistema de saúde, usado por hospitais, maternidades e órgãos de vigilância para reforçar a importância da imunização logo nos primeiros dias de vida.
A aplicação continua sendo feita ainda na maternidade, no braço do recém-nascido, e é essa aplicação que deixa a cicatriz característica reconhecida por praticamente toda a população brasileira. Mais de um século depois do anúncio do Instituto Pasteur, e quase cinco décadas depois de entrar no calendário oficial de vacinação, o imunizante segue sendo uma das primeiras intervenções de saúde pública recebidas por um brasileiro recém-nascido.
O Dia da Vacina BCG mostra como uma descoberta de laboratório, feita na França em 1921, percorreu décadas e um oceano até se tornar rotina em maternidades brasileiras a partir de 1977 — e como, mesmo sem lei federal que a institua, uma data pode se firmar pela própria relevância sanitária.
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