Curta Barreira Verde tem estreia gratuita em Aracruz e Vitória — Direto Notícias

Curta Barreira Verde tem estreia gratuita em Aracruz e Vitória

O curta Barreira Verde, da diretora e historiadora Cíntia Braga, tem duas sessões marcadas no Espírito Santo, em abril, e as duas são de graça: a primeira na Aldeia Tupinikim Irajá, no município de Aracruz, no dia 19, às 14 horas, dentro da programação do dia de comemoração aos Povos Originários; a segunda no Cine Metrópolis, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, no dia 26, às 19 horas.

A fase é esta: o projeto foi selecionado em edital público e o filme chega agora à exibição. Barreira Verde foi contemplado no Edital 14/2022 – Seleção de Projetos de Produção Audiovisual, e bancado com dinheiro público do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), ligado à Secretaria da Cultura (Secult). Selecionado, exibido e premiado são três coisas diferentes, e o material divulgado sustenta apenas as duas primeiras: não há menção a prêmio, a mostra competitiva, a festival nem a qualquer exibição fora dessas duas datas.

Onde e quando assistir ao curta Barreira Verde

O material de divulgação do curta Barreira Verde traz um bloco de serviço com as duas sessões. Elas são abertas, sem cobrança de ingresso:

  • Aracruz – Cine Tupinakyîa, na Aldeia Tupinikim Irajá. Dia 19 de abril, sábado, às 14 horas. Entrada gratuita.
  • Vitória – Cine Metrópolis, na Avenida Fernando Ferrari, 514, dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no bairro Goiabeiras. Dia 26 de abril, sábado, às 19 horas. Entrada gratuita.

Um detalhe que atrapalha quem lê a informação fora da semana em que ela foi distribuída: a divulgação informa dia, mês, dia da semana e horário, mas em nenhum momento escreve o ano das sessões. O texto oficial trata as datas como se o leitor estivesse acompanhando em tempo real, e quem quiser conferir precisa recorrer à data em que o anúncio foi publicado.

Vale também um alerta de grafia: o material oficial escreve o nome da aldeia de duas formas diferentes dentro do mesmo texto, Tupinkim no corpo e Tupinikim no bloco de serviço. Aqui foi mantida a forma que aparece no serviço.

O enredo, segundo a própria diretora

Cíntia Braga descreve o filme como uma aventura, com roteiro de ficção apoiado em uma ideia saída da historiografia capixaba. Pela descrição dela, a narrativa encadeia fatos que ligam passado, presente e futuro e volta-se às origens coloniais do Estado e às lutas dos povos originários. A trama parte de uma escavação:

As três personagens são as pesquisadoras Minerva, Tereza e Ester, responsáveis por uma escavação em um Sítio Arqueológico, onde descobrem artefatos que vão acionar a ligação com a ancestralidade das comunidades tradicionais da região do norte do Espírito Santo. O filme torna pública a memória de comunidades tradicionais indígenas e quilombolas que resistiram por séculos, afeitos ao cultivo da honradez e da insubmissão

A descrição é da diretora e historiadora Cíntia Braga, que também assina o roteiro. A produção é da Paideia Filmes.

Ela emenda um argumento de uso escolar para o filme:

Além da relevância ao promover temas curriculares, atualizados pelo enredo da trama, numa linguagem de eficiente comunicação e promoção do conhecimento da história do Espírito Santo

O complemento é da mesma diretora. Registre-se que a frase, como o material oficial a publicou, é um trecho solto: ela começa por uma oração subordinada e não chega a fechar o raciocínio. Foi reproduzida assim, sem conserto, porque alterar palavra dentro de fala alheia não é edição, é reescrita.

O que a divulgação do curta Barreira Verde não informa

A ausência também é informação, e este material deixa de fora quase tudo o que um espectador precisaria saber antes de sair de casa:

  • Duração do filme. O texto o classifica como curta-metragem, mas não diz quantos minutos ele tem.
  • Classificação indicativa. Não há indicação de faixa etária para nenhuma das duas sessões.
  • Retirada de ingresso. A entrada é gratuita, mas o material não esclarece se há senha, reserva, inscrição prévia ou limite de lugares em qualquer uma das salas.
  • Acesso à aldeia. A sessão de Aracruz acontece dentro de uma comunidade indígena, e o texto não informa se o público de fora pode entrar livremente, se há orientação de acesso ou quem responde pela autorização.
  • Valor do apoio. O edital e o fundo estadual são citados pelo nome, mas não há quanto o projeto recebeu.
  • Ficha técnica. Só direção, roteiro e produtora aparecem. Elenco, fotografia, trilha e equipe não são divulgados.
  • Acessibilidade. Nada sobre legenda descritiva, audiodescrição ou intérprete de língua de sinais.
  • O que vem depois. Não há informação sobre novas exibições, circulação em escolas, mostras seguintes ou disponibilização on-line.

Funcultura, Secult, edital: o que cada nome quer dizer

O texto oficial usa as siglas sem explicar. Em linguagem de leigo:

  • Edital 14/2022 – Seleção de Projetos de Produção Audiovisual é uma chamada pública: projetos se inscrevem, concorrem entre si e os selecionados recebem apoio para sair do papel. O número identifica a chamada e o ano em que ela foi aberta.
  • Funcultura é o Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo, a fonte de dinheiro público que banca projetos culturais escolhidos por esse tipo de chamada.
  • Secult é a Secretaria da Cultura, a pasta do governo estadual responsável pelo edital e pelo fundo.
  • Curta-metragem é o filme de curta duração, feito para sessões e mostras e não para o circuito de longas em cartaz. Quantos minutos tem Barreira Verde, a divulgação não diz.

Quem anuncia a estreia também ajudou a financiar o filme

Uma ressalva que o leitor merece: as informações desta matéria vêm do material distribuído pelo próprio governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura — a mesma pasta responsável pelo edital que selecionou o projeto. Quem anuncia a estreia, portanto, é parte interessada no resultado dela.

Isso não invalida nenhum dado de serviço, mas explica o tom. O material traz uma única voz, a da diretora, nenhuma avaliação independente sobre o filme e nenhum contraponto. Ausência de crítica em um texto de divulgação não é sinal de consenso — é o formato funcionando como foi feito para funcionar.

O mesmo material aponta perfis do filme e da diretora em rede social e um endereço de e-mail pessoal como canal de mais informações. São canais da produção, de natureza promocional, e não serviço ao leitor: por isso não são reproduzidos aqui.

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