
Em 28 de fevereiro, o calendário cultural lembra a morte de Chiquinha Gonzaga, compositora que marcou a música popular brasileira. A data completa 91 anos em 2026 e cai, mais uma vez, às vésperas do Carnaval.
O que marca a data da morte de Chiquinha Gonzaga
Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, morreu em 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, aos 87 anos, vítima de pneumonia. Ela faleceu em seu apartamento na Praça Tiradentes, região central da cidade que, décadas depois, se tornaria um dos símbolos do Carnaval carioca.
Marcar o dia da morte de uma figura histórica é uma prática comum em calendários de efemérides, distinta de um feriado ou de uma data comemorativa instituída por lei. Serve para relembrar, em datas certas, a trajetória de pessoas cuja obra segue relevante muito tempo depois de sua morte — como é o caso da música que Chiquinha Gonzaga deixou.
Quem foi a compositora Chiquinha Gonzaga
Nascida em 17 de outubro de 1847, Chiquinha Gonzaga foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e a primeira chorona do país, termo usado para quem toca choro, gênero musical brasileiro. Ao longo da vida, compôs mais de duas mil peças, entre elas “Ó Abre Alas”, de 1899, considerada a primeira marcha carnavalesca brasileira.
Reger uma orquestra e compor para os salões e teatros do Rio de Janeiro eram atividades reservadas quase exclusivamente a homens na época em que ela viveu. Ao ocupar esses espaços, Chiquinha Gonzaga abriu caminho para gerações seguintes de mulheres compositoras e instrumentistas, num período em que a própria ideia de mulher músico profissional era vista com estranheza pela sociedade.
O choro, gênero que ela ajudou a consolidar, nasceu no Rio de Janeiro no século 19 a partir da mistura de ritmos europeus, como a polca e a valsa, com a sonoridade e o jeito de tocar desenvolvidos por músicos populares brasileiros. Já a marchinha de Carnaval, gênero inaugurado por “Ó Abre Alas”, tornou-se um dos símbolos sonoros mais reconhecíveis da festa popular brasileira, cantada até hoje em blocos de rua e desfiles pelo país.
Como aconteceu a morte, em 1935
Segundo o Instituto Moreira Salles, a morte de Chiquinha Gonzaga ocorreu numa quinta-feira, antevéspera do Carnaval daquele ano — uma coincidência simbólica para quem havia composto a marchinha que abriu o gênero no país. A proximidade entre a data de sua morte e o período carnavalesco é lembrada até hoje por quem estuda sua obra.
Por que não existe lei para essa data
Não há lei federal que institua uma data comemorativa em 28 de fevereiro associada a Chiquinha Gonzaga. O que existe é uma efeméride: a lembrança de um fato histórico, mantida viva por instituições culturais, pesquisadores de música popular e veículos de imprensa, sem que isso corresponda a uma norma que crie oficialmente essa celebração.
O que a efeméride representa em 2026
Em 2026, ao completar 91 anos da morte de Chiquinha Gonzaga, a data volta a coincidir com as vésperas do Carnaval, reforçando a ligação entre a compositora e a festa popular que ela ajudou a musicar mais de um século atrás. É uma ocasião para reconhecer o papel de uma mulher que abriu caminho em uma área dominada por homens na virada do século 19 para o 20.
Instituições culturais que preservam acervos de música brasileira, como o Instituto Moreira Salles, cumprem papel importante para manter esse tipo de memória acessível às novas gerações. É a partir de registros biográficos como os que essas instituições reúnem que efemérides como esta chegam ao público com precisão, sem depender apenas da tradição oral ou de listas de calendário sem verificação.
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