
O partido de direita nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu neste domingo (6) a eleição para o Parlamento da Saxônia-Anhalt, conquistando o maior feito de sua história desde a fundação em 2013. O resultado coloca o AfD a um passo de governar um estado alemão pela primeira vez e reforça seu domínio político no leste da Alemanha, região que viveu sob ditadura comunista até a reunificação, em 1990.
O candidato Ulrich Siegmund celebrou a vitória em Magdeburg, capital do estado. O novo Parlamento da Saxônia-Anhalt ainda realizará a eleição para governador, e o AfD parte como favorito para assumir o cargo.
Por que o AfD domina na Saxônia Anhalt e no leste alemão
Pesquisadores apontam que o partido soube captar décadas de frustração econômica. Wolf-Fabian Hungerland, da Universidade Humboldt de Berlim, publicou análise no Economics Observatory destacando que “o PIB per capita no leste do país não registrou aumento substancial no período imediatamente posterior à reunificação e, em 2023, situava-se em apenas 66% do valor registrado no oeste”.
Em 2020, menos de 10% das grandes empresas alemãs tinham sede no leste, apesar de a região concentrar cerca de 17% da população. Hungerland também apontou que “alemães do leste ocupam apenas 13,5% dos cargos de alto escalão em órgãos federais, índice que cai para apenas 6,8% nos níveis mais elevados de liderança”. Essa exclusão, portanto, alimenta o ressentimento que o AfD transforma em votos.
Identidade regional como combustível eleitoral
Gert Pickel, da Universidade de Leipzig, e Susanne Pickel, da Universidade de Duisburg-Essen, identificaram outros fatores que explicam o avanço. Segundo os pesquisadores, o partido se beneficia de pautas “como o desafio da integração de migrantes (particularmente muçulmanos), o antifeminismo e a insatisfação com a política partidária vigente”.
Além disso, os professores destacam que “o partido também consegue capitalizar a apropriação de uma identidade coletiva do leste alemão e sentimentos de privação. Esses sentimentos de desvantagem caracterizam-se por uma distinção em relação à [antiga] Alemanha Ocidental e às elites do oeste alemão, o que se traduz em votos e lealdade ao AfD”.
Números que mostram a força eleitoral do partido
Nas eleições federais de 2025, o AfD ficou em primeiro lugar na Saxônia, com 37,5% dos votos, e na Turíngia, com 38,5% — ambos estados da antiga Alemanha Oriental. No plano nacional, o partido terminou em segundo lugar com 20,8%, crescimento de 10,4 pontos percentuais em relação a 2021. O próximo alvo, nesse sentido, é o governo federal em 2029.
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