
Hoje, primeiro de janeiro, é celebrada a Jornada Mundial da Paz, também chamada de Dia Mundial da Paz. A data não nasceu de lei nenhuma: nasceu de uma mensagem escrita pelo papa Paulo VI, em dezembro de 1967.
O que propõe a Jornada Mundial da Paz
A Jornada Mundial da Paz propõe que o primeiro dia de cada ano do calendário civil seja dedicado a pensar a paz como o valor que deveria comandar a história dali em diante. A proposta foi feita de modo aberto: o convite valia para todos os “homens de boa vontade”, qualquer que fosse sua religião ou posição política — não apenas para os fiéis católicos.
A primeira celebração aconteceu em 1º de janeiro de 1968, ainda com a Guerra do Vietnã em curso, num mundo bem diferente do de hoje. Desde então, a data se repete todo início de ano, sempre com um tema novo escolhido pelo papa em exercício.
A origem apurada: uma mensagem de 1967
Em 8 de dezembro de 1967, Paulo VI escreveu uma mensagem dirigida aos bispos, aos fiéis católicos e, expressamente, a todos os homens de boa vontade, propondo que o primeiro dia de cada ano fosse celebrado como Dia da Paz. O papa pedia que a celebração se repetisse:
“como augúrio e promessa, no início do calendário”
Anos depois, na exortação Marialis Cultus, de 1974, o mesmo Paulo VI registrou que a iniciativa vinha ganhando adesões ao redor do mundo e destacou a coincidência entre a oitava do Natal e a data de 1º de janeiro — as duas celebrações passaram a dividir o mesmo dia do calendário litúrgico. Desde a primeira mensagem, cada papa publica um texto próprio para a data, e é dele que saem os temas repetidos nas missas do início do ano.
O que diz a lei brasileira sobre esta data
Não há lei brasileira que institua esta data. A origem foi lida direto na fonte: a mensagem de Paulo VI, assinada “Paulus PP. VI”, propõe a celebração e pede que ela se repita todo ano — mas o texto é ato de autoridade religiosa, publicado pela Santa Sé, e não projeto de lei votado pelo Congresso Nacional. Por isso não existe autoria parlamentar nem placar de votação a registrar aqui: nenhum deputado, senador ou presidente da República assinou norma alguma para criar a Jornada Mundial da Paz.
A distinção importa porque a data circula em calendários de efeméride como se fosse comemoração nacional brasileira, quando na origem é celebração católica mundial, decidida por autoridade religiosa e mantida por adesão voluntária de dioceses e paróquias — inclusive as de Guarapari.
Como a data é celebrada hoje
A celebração divide o calendário paroquial com a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e costuma ser tratada, nas missas do primeiro dia do ano, como o momento de ouvir o tema anual escolhido pelo papa em exercício. Em Guarapari, o dia coincide com a ressaca do réveillon na Praia do Morro: a cidade celebra a paz na igreja no mesmo domingo em que ainda recolhe os resquícios da virada na areia.
Vale a nota porque quase ninguém sabe que a data nasceu de uma carta, e não de um tratado entre países: não há embaixada nem organismo internacional por trás da Jornada Mundial da Paz, apenas a insistência anual de uma mensagem papal repetida desde 1968.
- Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus — a mais antiga homenagem mariana do calendário, que ocupa o mesmo dia.
- Oitava do Natal do Senhor — nome litúrgico do encerramento dos oito dias abertos na noite de 24 de dezembro.
Em resumo, a Jornada Mundial da Paz é celebração católica sem lei brasileira, criada pela mensagem de Paulo VI, de 1967, e mantida viva por quase seis décadas de mensagens papais repetidas todo início de ano — não por decisão do Congresso Nacional.
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