
Em 13 de março de 2013, a fumaça branca subiu da Capela Sistina anunciando a eleição do papa Francisco. É a única eleição secreta do mundo que revela o resultado por sinal de fumaça, e a apuração desta reportagem seguiu os horários oficiais registrados pela própria Santa Sé.
O que aconteceu na eleição do papa Francisco
Em 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI havia anunciado que renunciaria ao pontificado, algo que não acontecia havia quase seiscentos anos. O conclave para escolher o sucessor começou em 12 de março de 2013, com 115 cardeais eleitores trancados na Capela Sistina depois do juramento e do “Extra omnes” às 17h33. A primeira fumaça preta daquele dia saiu às 19h41.
No dia seguinte, 13 de março, houve nova fumaça preta às 11h38, e a fumaça branca subiu às 19h06, anunciando que a Igreja Católica tinha um novo papa. O anúncio veio às 20h12, da loggia da Basílica Vaticana, pelo cardeal protodiácono Jean-Louis Tauran. Em nenhum momento os cardeais eleitores comentam publicamente os próprios votos durante o processo: a única informação que chega ao mundo exterior enquanto o conclave está em curso é justamente a cor da fumaça liberada pela chaminé da Capela Sistina, um mecanismo que permaneceu o mesmo naquele março de 2013.
A origem apurada: quem foi eleito e por quê
O eleito foi o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, que escolheu o nome Francisco em referência a Francisco de Assis. Era o primeiro papa vindo da América Latina, onde vive a maior parte dos católicos do mundo, e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo. No discurso aos jornalistas, em 16 de março de 2013, o próprio Francisco contou a origem do nome: estava sentado ao lado do cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, e quando os votos chegaram a dois terços, o amigo o abraçou e disse “não te esqueças dos pobres” — e foi pensando nos pobres, e depois nas guerras, que lhe veio ao coração o nome de Francisco de Assis, “o homem da paz”.
O boletim oficial da Sala de Imprensa da Santa Sé não divulga o número de escrutínios nem a contagem de votos, porque o conclave é protegido por segredo. A quinta votação é uma dedução feita a partir dos horários das fumaças, e não uma informação divulgada oficialmente pela Santa Sé.
O que confirma a data da eleição do papa Francisco
Não há lei, decreto ou portaria brasileira sobre a eleição de um papa — é efeméride religiosa, sem norma civil correspondente. A confirmação da data e dos horários vem de documento oficial da Santa Sé: o boletim da Sala de Imprensa de 13 de março de 2013 registra cada horário do conclave, do “Extra omnes” ao anúncio final.
Há uma divergência de numeração que vale registrar: o boletim de 13 de março de 2013 chama Francisco de 265º sucessor de Pedro, enquanto a biografia oficial hoje publicada pelo Vaticano diz 266º papa. A diferença é de método de contagem histórica — e esta reportagem usa 266º papa, a numeração adotada atualmente pelo próprio Vaticano.
Como a data é lembrada hoje
Para o Brasil, o país com o maior número de católicos do planeta, a eleição teve efeito rápido: quatro meses depois, em julho de 2013, Francisco fez do Rio de Janeiro sua primeira viagem internacional como papa, na Jornada Mundial da Juventude. A data de 13 de março segue sendo lembrada em meios de comunicação e na própria Igreja como o dia em que um argentino, vindo de fora da Europa pela primeira vez em séculos, assumiu a liderança da Igreja Católica.
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