Escola de Colatina mapeia lugares de afeto com mapa digital — Direto Notícias

Escola de Colatina mapeia lugares de afeto com mapa digital

Uma escola estadual de Colatina transformou mapas digitais em registro de memória afetiva. A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Honório Fraga realizou, ao longo do mês de fevereiro de 2025, o projeto Geografia das Emoções: Mapeando Sentimentos e Lugares do Afeto, que usou recursos de cartografia digital para identificar padrões emocionais ligados a locais, momentos e situações marcados por memórias e por sentimento de pertencimento. A atividade já foi realizada e encerrada: o material divulgado pela Sedu descreve um projeto concluído dentro de uma escola, e não um programa da rede, uma política pública nem algo aberto a inscrição de outras turmas ou de outras unidades.

Como o projeto Geografia das Emoções foi descrito

Quem idealizou a ação foi o professor de Geografia da escola, José Augusto Pires da Luz. Segundo ele, o exercício ajudou os alunos a enxergar de forma mais ampla os conceitos que já vinham sendo tratados nas aulas e abriu espaço para a construção de modelos tridimensionais, que serviriam à visualização e à análise espacial. Essa é a avaliação do próprio idealizador: o material divulgado não apresenta nenhuma medição — nota, avaliação, comparação com outras turmas ou número de participantes — que sustente o efeito descrito.

As geotecnologias estão presentes em nosso cotidiano e constituem um instrumento imprescindível para o ensino da Geografia. Da mesma forma, as tecnologias propiciam condições e um cenário favorável à alfabetização cartográfica e ao fortalecimento do sentimento de pertencimento com lugares de afeto

A afirmação é do professor de Geografia José Augusto Pires da Luz, idealizador do projeto.

As ferramentas citadas, e o que não se sabe sobre o uso delas

O material aponta duas ferramentas usadas pelos estudantes: os aplicativos Google Maps e Global Mapper. É toda a informação disponível sobre a parte técnica. Não há descrição de como cada aplicativo entrou na atividade, em que etapa, quantas aulas ocupou nem se os alunos trabalharam em computadores da escola ou em aparelhos próprios.

Os termos que estruturam o projeto também aparecem sem explicação. Geotecnologias, cartografia digital e alfabetização cartográfica são usados como se fossem de conhecimento geral do leitor; a divulgação não define nenhum deles, e este texto não vai atribuir à escola um significado que ela não declarou. O mesmo vale para os modelos tridimensionais que dão nome à versão original da notícia: o material não informa de que eram feitos, quantos foram, o que representavam ou se ficaram expostos em algum lugar.

O que a divulgação não informa

Ausência de dado também é informação, e neste caso ela é grande. O que ficou de fora:

  • quantos estudantes participaram e de quantas turmas;
  • quais lugares de Colatina foram mapeados — bairros, praças, trajetos, a própria escola;
  • o que os mapas emocionais mostraram, ou seja, o resultado do levantamento;
  • se o material produzido foi exposto à comunidade escolar, às famílias ou ao público;
  • se o projeto terá nova edição, se será estendido a outras séries ou se ficou restrito a fevereiro;
  • se houve custo, apoio externo ou equipamento cedido;
  • se outras escolas do município ou da rede desenvolveram atividade parecida.

Nenhuma dessas lacunas é acidental: material de divulgação oficial existe para contar o que deu certo, e não costuma inventariar o que ainda não se sabe.

Uma única voz sobre o projeto

O texto divulgado ouve uma pessoa só — o professor que criou a atividade. Não há manifestação da direção da escola, de outros docentes, das famílias e, principalmente, não há uma única fala de estudante, embora sejam os estudantes o centro declarado do projeto. Quem viveu a experiência não é citado nem uma vez. Vale registrar que ausência de crítica em material oficial não equivale a consenso: apenas ninguém mais foi consultado.

O projeto ‘Geografia das Emoções’ demonstrou a importância da interseção entre tecnologia e educação, proporcionando aos estudantes não apenas o desenvolvimento de habilidades técnicas, mas também a valorização de suas vivências e memórias pessoais por meio da Geografia

A avaliação, novamente, é de José Augusto Pires da Luz, professor de Geografia e idealizador da ação.

Outras salas de aula de Colatina

O mapeamento afetivo não é episódio isolado no município. Meses depois desta atividade, alunos de Colatina usaram tecnologia digital para mapear os bairros mais quentes da cidade e a desigualdade térmica entre eles, num exercício que também parte do território vivido pelo aluno. Em outra frente, estudantes do município propuseram soluções tecnológicas contra o lixo e o desperdício ao discutir cidades inteligentes. São episódios independentes, em contextos próprios, e o que os aproxima é o método: sair do quadro e usar a cidade como objeto de estudo.

A mesma lógica aparece quando a experiência substitui a explicação verbal, como no caso em que alunos com deficiência visual de Colatina participaram de um experimento sensorial sobre o calor. Nos três casos, incluindo o da EEEFM Honório Fraga, o registro público disponível descreve a atividade — o que ela produziu de aprendizado permanece uma avaliação de quem a conduziu, e não um número aferido.

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