
O quarto domingo da Quaresma é o Domingo Laetare, um dos únicos dois dias do ano em que a Igreja Católica permite trocar o roxo da penitência pela cor rosa. Não é feriado, não é ponto facultativo — é uma pausa dentro do próprio calendário litúrgico, pensada para lembrar que a metade do caminho até a Páscoa já foi vencida.
De onde vem o nome Domingo Laetare
O nome Laetare vem da primeira palavra do canto de entrada da missa, em latim: “Laetare, Ierusalem” — alegra-te, Jerusalém —, trecho tirado do profeta Isaías. É um dos dois únicos domingos do ano, ao lado do terceiro domingo do Advento, chamado Gaudete, em que o padre pode usar a cor rosa em vez do roxo da penitência. A regra está escrita na Instrução Geral do Missal Romano, cujo número 346 diz que a cor rosácea pode ser usada, onde é tradição, nesses dois domingos específicos — mas é uma faculdade, não uma obrigação: nenhuma paróquia é obrigada a vestir o padre de rosa nesse domingo.
O calendário canônico por trás da Quaresma
Não há lei civil regulando o Domingo Laetare: é dia do calendário litúrgico católico, e as normas que o cercam são inteiramente canônicas. O cânone 1250 do Código de Direito Canônico estabelece que os dias e tempos de penitência na Igreja universal são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma como um todo — é dentro desse tempo mais longo que o Domingo Laetare aparece como um respiro. É por isso que a exceção da cor rosa só faz sentido dentro de um tempo que, o resto do tempo, é marcado pela cor da penitência: o contraste é o que dá significado à pausa.
O que as datas do Vaticano confirmam
As datas de 2025 estão documentadas uma a uma pelo próprio Vaticano: a homilia daquele ano saiu com o título “Santa Missa, bênção e imposição das Cinzas (5 de março de 2025)”; a mensagem pascal foi publicada como Urbi et Orbi da Páscoa de 2025, com data de 20 de abril; e o Angelus de 30 de março de 2025 traz no cabeçalho “IV Domingo da Quaresma, 30 de março de 2025”, com o Evangelho do filho pródigo. A conta bate também no calendário civil capixaba: a lei do Espírito Santo fixa a Segunda-feira da Penha sempre no oitavo dia depois do Domingo de Páscoa, e o calendário de Guarapari de 2025 marcou 28 de abril como o feriado estadual daquele ano.
O que muda nesse domingo
Pela tradição, no Domingo Laetare voltam as flores no altar e o som do órgão, calados no resto do tempo quaresmal — um sinal de que a Páscoa está mais perto do que o jejum sugere. Na Europa o dia acumulou outros costumes, como o antigo hábito papal de abençoar uma rosa de ouro. No Brasil, o Laetare passa quase despercebido fora das paróquias, ainda que a Quaresma esteja na rotina de milhões de pessoas: é o tempo em que as igrejas rezam a Via-Sacra nas sextas-feiras, as peixarias mudam de movimento, e a Campanha da Fraternidade, promovida pelos bispos brasileiros desde 1964, ocupa as comunidades com um tema social diferente a cada ano.
Um domingo dividido com outras duas datas
O mesmo dia em que a Igreja celebra o Domingo Laetare também aparece em calendários de saúde como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, e no santoral como a memória de São João Clímaco — duas efemérides que não têm relação alguma com a pausa quaresmal, mas que dividem a mesma data no calendário civil daquele ano específico.
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