
12 de março é a data que o calendário litúrgico da Igreja Católica reserva à memória de São Luís Orione, padre italiano que passou a vida montando obras de caridade para quem ninguém mais queria cuidar.
Quem foi São Luís Orione
Luís Orione nasceu em Pontecurone, na diocese de Tortona, no norte da Itália, em 23 de junho de 1872. O pai era calceteiro, dos que assentam pedra de rua, e entre 1882 e 1885 o menino trabalhou ao lado dele como ajudante, mesmo já sentindo o chamado ao sacerdócio. Aos treze anos foi acolhido no convento franciscano de Voghera, mas uma pneumonia quase o matou e ele voltou para a família. De outubro de 1886 a agosto de 1889 foi aluno de dom Bosco no Oratório de Valdocco, em Turim, que o pôs entre os prediletos; na mesma cidade conheceu as casas de caridade de São José Bento Cottolengo, que abrigavam doentes de quem ninguém queria cuidar. Os dois exemplos explicam a obra que veio depois.
Em 21 de março de 1903 o bispo de Tortona, dom Igino Bandi, reconheceu canonicamente a Pequena Obra da Divina Providência, congregação de padres, irmãos coadjutores e eremitas. Depois do terremoto de dezembro de 1908, que deixou noventa mil mortos entre Messina e Reggio Calábria, Orione correu para socorrer os órfãos, e o papa Pio X o nomeou vigário-geral da diocese de Messina; ele repetiu o socorro no terremoto da Marsica, em 13 de janeiro de 1915. Fundou ainda as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade e as Irmãs Sacramentinas Cegas, e levantou nas periferias das grandes cidades os Pequenos Cottolengos.
A chegada ao Brasil
O Brasil foi o primeiro país fora da Europa a receber a obra de Orione: em dezembro de 1913 partiu de Gênova a primeira expedição, que desembarcou no porto de Santos em 29 de dezembro e chegou a Mar de Espanha, em Minas Gerais, em janeiro de 1914, para tocar escola e colônia agrícola. Argentina e Uruguai vieram em 1921, e o próprio fundador cruzou o Atlântico duas vezes, entre 1921 e 1922 e de novo entre 1934 e 1937, passando por Argentina, Brasil, Uruguai e Chile.
Orione morreu em Sanremo em 12 de março de 1940, dizendo que não era entre as palmeiras que queria morrer, e sim entre os pobres. João Paulo II o canonizou em 16 de maio de 2004.
12 de março e 16 de maio não são a mesma data
É aqui que a história pede cuidado. A ficha oficial do Dicastério das Causas dos Santos registra no cabeçalho de Luigi Orione o campo “Memoria Liturgica: – 12 marzo”, e explica o motivo ao lembrar que “Don Orione morì il 12 marzo 1940”, em Sanremo. Essa é a memória litúrgica universal, ligada ao dia da morte. Já 16 de maio é outra coisa: o aniversário da canonização, em 2004. As casas orionitas do Brasil costumam preferir essa segunda data para a festa popular, porque 12 de março quase sempre cai dentro da Quaresma, período que a liturgia reserva a outro clima. Vale notar ainda que a resenha diária do Vatican News para 12 de março lista apenas São Maximiliano, mártir na África, e São Inocêncio I, papa; isso não desmente a memória de Orione, porque aquela resenha é uma seleção editorial de poucos nomes por dia, não o calendário completo.
Em Vila Velha, a festa de São Luís Orione cai em maio
Não existe lei brasileira, federal, estadual ou municipal, que institua qualquer data em honra a São Luís Orione: a memória vem só do calendário da Igreja. No Espírito Santo, a presença orionita é recente e litorânea. Em 3 de março de 2002 a congregação assumiu a paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na Cidade da Barra, em Vila Velha, no trecho de praia que segue para Guarapari, e de lá abriu mais onze comunidades, em bairros como Terra Vermelha, Barramares, Jabaeté, Riviera da Barra e Ponta da Fruta. Ali, segundo notícia da Arquidiocese de Vitória, a paróquia faz novena e festa em torno de 16 de maio, data da canonização, e não em março. É a mesma distinção que vale para o resto do país: o dia da morte fica no calendário universal da Igreja; o dia da festa, nas paróquias que têm Orione como padroeiro, segue o calendário da canonização.
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