Profissional de saúde com máscara em laboratório, representando preparação para epidemias no calendário internacional

Dia Internacional de Preparação para Epidemias: o que é e por que não tem lei no Brasil

Profissional de saúde com máscara em laboratório, representando preparação para epidemias no calendário internacional
Foto: cottonbro studio / Pexels

Hoje é 27 de dezembro, Dia Internacional de Preparação para Epidemias. Não é feriado no Brasil: trata-se de uma observância internacional, sem lei brasileira que a institua.

O que é o Dia Internacional de Preparação para Epidemias

A página oficial de observâncias das Nações Unidas registra 27 de dezembro como o dia dedicado ao tema. A data existe para lembrar governos, instituições de saúde e a população em geral da importância de estar preparado antes que uma epidemia aconteça, e não apenas de reagir depois que ela já começou a se espalhar.

A diferença entre preparar e reagir parece óbvia quando explicada, mas é justamente o que costuma faltar na prática: sistemas de saúde, em geral, são desenhados para responder a demandas já existentes, não para antecipar cenários que ainda não aconteceram. É esse ponto cego que a data tenta corrigir, colocando a preparação — e não apenas a resposta — no centro da conversa sobre saúde pública.

A origem da data, apurada na ONU

O texto oficial da ONU parte da experiência da pandemia de covid-19 para defender quatro frentes de ação. A primeira é a construção de sistemas de saúde resilientes, capazes de resistir a choques e responder rapidamente quando um surto aparece. A segunda é a troca de informação científica entre países e instituições, para que uma descoberta feita em um lugar chegue rápido a outro. A terceira é a educação de qualidade sobre saúde pública, que ajuda a população a entender riscos e a agir corretamente diante deles.

A quarta frente é a abordagem conhecida como Saúde Única, que trata a saúde humana, a saúde animal e a saúde ambiental como partes de um mesmo sistema, e não como campos separados que só se cruzam em situações de crise. É uma data recente no calendário internacional, criada no contexto da própria pandemia que a inspira — o que explica por que ela ainda não tem a mesma tradição de datas internacionais mais antigas.

As quatro frentes citadas pela ONU não funcionam isoladas: um sistema de saúde só é resiliente se tiver acesso rápido à informação científica gerada em outros países; a informação científica só chega à população se houver educação de qualidade capaz de traduzi-la; e nenhuma das duas coisas resolve o problema sozinha se a saúde animal e ambiental continuar tratada como assunto à parte. É esse encadeamento que a data resume em um único dia do calendário internacional.

Por que não há lei brasileira para o Dia Internacional de Preparação para Epidemias

Não foi localizada lei brasileira instituindo a data — nem federal, nem estadual, nem municipal. O que existe é o registro na página oficial de observâncias internacionais das Nações Unidas, que é o tipo de fonte apropriado para uma data deste tipo: um documento internacional, não brasileiro.

Isso não significa que a data seja menos legítima. Significa apenas que ela pertence a outra categoria: a das observâncias reconhecidas por organismos internacionais, que países como o Brasil podem divulgar e adotar informalmente, sem precisar reproduzi-las em lei própria. É uma diferença que vale a pena ensinar: nem toda data séria e relevante depende de Congresso Nacional para existir.

Essa é, também, uma explicação sobre como funcionam os organismos internacionais: uma observância da ONU nasce de decisão tomada no âmbito internacional, e cada país-membro decide, por conta própria, se e como vai reproduzi-la em sua própria legislação. Até o momento desta reportagem, essa reprodução em lei brasileira não foi localizada nas fontes consultadas — o que não impede escolas, hospitais e órgãos de saúde de usarem a data como referência para campanhas e conteúdo educativo.

O que a data propõe hoje

A mensagem central é que preparação é diferente de reação. O dia convida governos e sociedade a investir antes que a próxima epidemia apareça — em sistemas de saúde, em ciência compartilhada, em educação e na integração entre saúde humana, animal e ambiental. É uma lição direta da pandemia que originou a data, e segue atual enquanto o tema permanecer no calendário de observâncias mantido pelas Nações Unidas.

Para o leitor que acompanha o noticiário de saúde, a data funciona como lembrete anual: o intervalo entre uma epidemia e a próxima nunca deveria ser tempo perdido. É justamente esse intervalo — o período sem crise — que a preparação exige que seja usado.

Outras datas de dezembro

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