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São João Batista de La Salle: por que não há lei para o padroeiro

Sala de aula antiga e vazia, com carteiras de madeira enfileiradas e um quadro-negro ao fundo.
Foto: Deane Bayas / Pexels

7 de abril é o dia da memória litúrgica de São João Batista de La Salle, marcado pela data da sua morte, em 1719. Ele nasceu em Reims, na França, em 1651, numa família abastada e devota, e aos quinze anos já era cônego da catedral da cidade. Ordenou-se padre, doutorou-se em teologia e, órfão de pai e mãe aos vinte e um anos, criou os irmãos mais novos.

O encontro com Adrien Nyel, um leigo que abria escolas gratuitas para meninos pobres, mudou o rumo da vida dele. Ao observar de perto aquelas escolas, viu o problema que ninguém queria enxergar: os professores eram mal preparados, mal pagos e desestimulados. A conclusão foi radical para a época — se o ensino era missão, quem ensinava precisava ser formado. Alugou uma casa e foi morar com os mestres, para instruí-los pessoalmente.

Quem foi São João Batista de La Salle

Dali nasceu o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, uma congregação de professores que permaneceram leigos. Foi ali também que São João Batista de La Salle deixou um conjunto de invenções pedagógicas que hoje parecem óbvias porque venceram: a aula coletiva em lugar da lição individual, a divisão dos alunos em classes, a alfabetização na língua materna e não em latim, os cursos noturnos e dominicais para jovens trabalhadores e a primeira escola normal, isto é, a primeira escola destinada a formar professores. As primeiras escolas lassalistas foram abertas ainda nos anos seguintes ao encontro com Adrien Nyel, e fontes diferentes registram datas ligeiramente distintas para esse começo.

Ele doou os bens aos pobres e renunciou ao canonicato em favor de um sacerdote sem recursos. Pagou caro por isso: foi processado pelos mestres de rua, atacado por párocos e por autoridades civis, teve de transferir a obra para Saint-Yon, perto de Ruão, e em 1702, depois de uma visita canônica, foi deposto do cargo de superior. Morreu na sexta-feira da Paixão, 7 de abril de 1719, deixando vinte e três casas e dez mil alunos; cerca de trinta mil pessoas foram ao enterro, e em 1937 seus restos foram levados para a casa geral do Instituto, em Roma. Foi canonizado em 1900.

Por que não existe lei para o padroeiro dos educadores

Não existe lei brasileira que institua 7 de abril como data comemorativa: a memória de São João Batista de La Salle pertence ao calendário litúrgico da Igreja Católica, fixada no dia da sua morte, e o título de padroeiro dos educadores veio de um ato do papa, e não de uma votação no Congresso Nacional. O Vatican News publica a ficha do santo do dia exatamente em 7 de abril e traz o seguinte trecho:

“Os professores de todos os tempos e lugares não poderiam ter um Padroeiro melhor que São João Batista de la Salle” — e completa que “o Papa Pio XII concedeu-lhe este título após 50 anos da sua Canonização.”

No Espírito Santo, quem guarda essa memória é o Convento da Penha, em Vila Velha, que publica página própria sobre a data e registra:

“Na sexta-feira da Paixão, 7 de abril de 1719, entregou sua alma ao Criador”; “no ano de 1900, João Batista de La Salle passou a ser oficialmente um santo da Igreja Católica”; e que “o papa Pio XII proclamou-o padroeiro universal de todos os educadores”.

A data exata em que Pio XII concedeu esse título não foi confirmada em documento oficial e por isso não entra nesta reportagem.

7 de abril não é o Dia do Professor brasileiro

É comum confundir a memória do padroeiro dos educadores com o Dia do Professor no Brasil, mas são coisas diferentes. O Dia do Professor brasileiro é 15 de outubro, fixado pelo Decreto nº 52.682, de 14 de outubro de 1963, cuja ementa diz “Declara feriado escolar o dia do professor”. O artigo 1º do decreto é direto:

“O dia 15 de outubro, dedicado ao Professor fica declarado feriado escolar.”

Ou seja: o Dia do Professor é uma data civil brasileira, criada por decreto; já 7 de abril é a festa do padroeiro deles no calendário da Igreja, sem nenhuma lei por trás.

O mesmo 7 de abril também marca, sem qualquer relação com a vida de São João Batista de La Salle, a abdicação de dom Pedro I, em 1831 — um episódio da história política brasileira que não se confunde com esta memória litúrgica.

Para a escola, a lição de São João Batista de La Salle é simples de resumir: ensinar bem exige formar quem ensina. Foi por isso que ele largou tudo, alugou uma casa para morar com os mestres, e transformou uma intuição pessoal numa rede de escolas que atravessou os séculos.

Outras datas de abril

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