
5 de setembro reúne duas homenagens distintas a uma mesma pessoa: é o dia da morte de Santa Teresa de Calcutá, guardado pelo calendário litúrgico católico, e também o Dia Internacional da Caridade, proclamado pela Organização das Nações Unidas em 2012. Nenhuma das duas observâncias tem lei brasileira por trás — a única norma federal para este dia trata de outro assunto, o Dia da Amazônia.
Quem foi Santa Teresa de Calcutá
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu em 26 de agosto de 1910, em Skopje, caçula de Nikola e Drane. Aos dezoito anos deixou casa, em setembro de 1928, para entrar nas Irmãs de Loreto, na Irlanda, e chegou a Calcutá em 6 de janeiro de 1929. Em 10 de setembro de 1946, no trem para Darjeeling, teve a inspiração que chamaria de chamado dentro do chamado, e em 17 de agosto de 1948 saiu do convento pela primeira vez com o sári branco de barra azul que a acompanharia pelo resto da vida.
Em 7 de outubro de 1950, a congregação das Missionárias da Caridade foi oficialmente estabelecida na Arquidiocese de Calcutá. Recebeu o Decreto de Louvor de Paulo VI em fevereiro de 1965 e se espalhou por todos os continentes. O Prêmio Nobel da Paz veio em 1979. Em 1997 eram quase 4 mil irmãs em 610 casas, em 123 países — um crescimento expressivo para uma congregação nascida de uma única mulher, décadas antes.
Morte, beatificação e canonização
Ela morreu em 5 de setembro de 1997 e teve funeral de Estado na Índia. Foi beatificada por João Paulo II em 19 de outubro de 2003 e canonizada pelo papa Francisco em 4 de setembro de 2016, diante de cerca de 120 mil pessoas na Praça de São Pedro. O processo de canonização passou por um caso brasileiro: a cura de Marcílio Haddad Andrino, morador de Santos, em São Paulo, que tinha hidrocefalia e uma infecção rara no cérebro.
O Dia Internacional da Caridade, pela ONU
Não há lei brasileira sobre esta parte da data. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas designou o 5 de setembro como Dia Internacional da Caridade pela resolução A/RES/67/105, da 67ª sessão, em 2012, conforme a página de observâncias da própria organização. Essa página não informa o país proponente nem o dia da votação, e por isso esses dois dados não entram neste registro.
A única norma federal localizada no Planalto para o 5 de setembro é a Lei nº 11.621, de 2007, que trata do Dia da Amazônia — um assunto totalmente distinto. Isso significa que tanto a memória católica de Santa Teresa de Calcutá quanto o Dia Internacional da Caridade da ONU existem no calendário brasileiro sem qualquer lei federal específica que os sustente.
- 1910: nascimento em Skopje, em 26 de agosto
- 1950: fundação das Missionárias da Caridade, em 7 de outubro
- 1979: Prêmio Nobel da Paz
- 1997: morte, em 5 de setembro
- 2016: canonização pelo papa Francisco, em 4 de setembro
Duas datas, uma só data no calendário
A coincidência entre a memória litúrgica e a proclamação da ONU não é acaso: a data internacional foi escolhida justamente por ser o dia da morte de Santa Teresa de Calcutá, reconhecida mundialmente por seu trabalho com os mais pobres em Calcutá. A Assembleia Geral, ao escolher 5 de setembro para o Dia Internacional da Caridade, ligou formalmente a observância internacional à figura da religiosa.
Em resumo, 5 de setembro homenageia Santa Teresa de Calcutá por dois caminhos que se cruzam: o calendário católico, que guarda a memória de sua morte, e a Organização das Nações Unidas, que transformou a data em Dia Internacional da Caridade em 2012. Nenhuma das duas observâncias tem lei brasileira específica — o que existe em lei federal para este dia é o Dia da Amazônia, assunto completamente diferente.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

