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Luís Carlos Prestes: da Coluna que não foi vencida à anistia de 1979

Coluna de soldados marchando por estrada de terra no interior do país
Foto: Victor Bogdan / Pexels

Luís Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre em 3 de janeiro de 1898 e morreu no Rio de Janeiro em 7 de março de 1990, atravessando do início ao fim quase todo o século republicano brasileiro. Filho de militar, formou-se engenheiro militar pela Escola Militar do Realengo e entrou para a história do país como comandante de uma marcha que ficou famosa por não ter sido vencida em combate.

Luís Carlos Prestes e a Coluna que não foi vencida

Entre 1925 e 1927, Prestes comandou a Coluna Prestes numa travessia de cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil, fugindo às tropas do governo de Artur Bernardes sem nunca ser derrotado em combate direto. Passar por tantos estados sem cair numa emboscada decisiva exigia conhecimento de terreno, disciplina de tropa e um comando capaz de manter a coluna unida apesar da distância e do desgaste — e foi exatamente essa capacidade que transformou o jovem capitão em nome conhecido em todo o país. Foi dessa marcha que veio o apelido que o acompanharia pelo resto da vida, “Cavaleiro da Esperança”, título de uma biografia escrita por Jorge Amado que ajudou a fixar essa imagem heroica na memória popular. A Coluna não tomou o poder nem tinha esse objetivo declarado, mas o feito de percorrer tamanha distância driblando um exército inteiro bastou para tornar Luís Carlos Prestes uma figura nacional antes mesmo de se aproximar do comunismo.

Prisão, exílio e a tragédia de Olga Benário

Exilado depois da Coluna, Prestes aproximou-se do comunismo e voltou ao Brasil na clandestinidade para conduzir a Intentona Comunista de 1935, tentativa de levante que fracassou e teve resposta dura do governo. Preso, passou nove anos na cadeia — quase uma década tirada do meio da vida adulta por uma condenação política. É nesse período que está um dos episódios mais duros de toda a sua biografia: sua companheira, Olga Benário, grávida, foi entregue pelo governo Vargas à Alemanha nazista e morreu depois num campo de extermínio, sem nunca ter cometido nenhum crime além de compartilhar as convicções políticas do marido. A entrega de Olga Benário é hoje um dos episódios mais citados quando se discute até onde foi a colaboração do Estado brasileiro com o regime nazista naqueles anos.

O senador mais votado do país

Anistiado em 1945, Prestes elegeu-se senador pelo Distrito Federal com a maior votação do país naquele pleito — sinal de como o nome dele, mesmo depois de quase uma década de prisão, continuava a mobilizar eleitores. O Partido Comunista Brasileiro, então legalizado pela primeira vez em anos, chegou a eleger 14 deputados federais na mesma eleição, um resultado que hoje soa surpreendente para quem só conhece a história recente do partido. Essa legalidade durou pouco: em 1947 o registro do partido foi cassado e os mandatos conquistados nas urnas caíram junto com o registro, episódio que marca um dos momentos em que o sistema político brasileiro fechou a porta que ele mesmo tinha aberto pouco antes.

Um século inteiro de idas e voltas

Depois da cassação, Prestes voltou à clandestinidade, exilou-se de novo depois de 1964 e só retornou em definitivo ao Brasil com a anistia de 1979, quando já era um homem idoso. Poucas figuras da história republicana atravessam, do começo ao fim, um arco tão longo quanto o de Luís Carlos Prestes — da Coluna de 1925 ao retorno de 1979, passando por prisão, exílio, mandato parlamentar e nova clandestinidade no meio do caminho. É um roteiro de vida que resume, sozinho, boa parte dos conflitos que atravessaram o Brasil ao longo do século republicano, do levante armado no interior à cassação de mandato pelo voto, passando pela perda de uma companheira entregue a um regime que a matou.

Não há lei federal que transforme 3 de janeiro em data comemorativa por causa de Luís Carlos Prestes: a única data oficial que o calendário registra para o dia é outra, ligada à Justiça de menores, e já tem cobertura própria neste espaço. Também não há placar de votação a afirmar aqui — nenhuma fonte consultada trouxe esse número, e por isso ele não é citado. A data do nascimento de Luís Carlos Prestes é, sozinha, o gancho de calendário que essa biografia oferece a quem quiser entender melhor um século inteiro de história política brasileira.

Outras datas de janeiro

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