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Vavá, o único jogador a marcar em duas finais de Copa do Mundo

Bola de futebol antiga de couro sobre gramado
Foto: Haitham Almasari / Pexels

Edvaldo Izídio Neto, o Vavá, morreu no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 2002, aos 67 anos. Vavá é o primeiro jogador da história a marcar gol em duas finais de Copa do Mundo diferentes, uma marca que resistiu ao tempo mesmo depois de décadas de futebol disputado no planeta inteiro.

Vavá, o Peito de Aço que marcou em duas finais

Nascido em Recife em 1934, foi apelidado de Peito de Aço pela forma como recebia a bola e pela disposição de entrar em disputas onde os outros jogadores não entravam. O apelido não era só força física: descrevia também a coragem de buscar espaço em áreas cheias de zagueiro, o que rendeu a Vavá boa parte dos gols mais decisivos da carreira.

1958: os dois primeiros gols contra a Suécia

Em 1958, na Suécia, Vavá fez os dois primeiros gols brasileiros da vitória por 5 a 2 sobre os donos da casa, na final que deu ao Brasil o primeiro título mundial da sua história. Abrir o placar duas vezes numa final de Copa do Mundo, contra o time que jogava em casa, é um feito que poucos atacantes de qualquer geração conseguiram repetir.

1962: o Brasil bicampeão sem Pelé

Em 1962, no Chile, Vavá marcou o terceiro gol do 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, jogo em que o Brasil venceu sem Pelé, machucado desde a segunda partida daquela Copa. Foi artilheiro do Mundial de 1962 ao lado de outros cinco jogadores, com quatro gols — um time que perdia o principal craque no meio da competição e ainda assim conquistava o bicampeonato mundial, com Vavá entre os nomes que sustentaram o ataque na ausência dele.

Repetir a experiência de decidir final de Copa do Mundo quatro anos depois de já ter feito isso na Suécia não é feito comum: exige resistir ao desgaste físico de duas competições inteiras, manter a forma entre uma edição e outra e continuar sendo escalado como titular numa seleção renovada. Vavá conseguiu as duas coisas, e é essa continuidade entre 1958 e 1962 que sustenta a marca de ser o primeiro a balançar a rede em duas finais diferentes.

Uma geração de centroavantes que o Brasil deixou de formar

Fora da seleção, Vavá fez carreira no Vasco da Gama, no Atlético de Madrid, no Palmeiras e no América. Vavá pertence a uma geração de centroavantes que o futebol brasileiro deixou de formar — jogadores de área, de disputa corpo a corpo, num estilo de ataque que praticamente desapareceu do futebol praticado hoje.

Jogar em quatro clubes de países diferentes ao longo da carreira também mostra como Vavá era reconhecido fora do Brasil, numa época em que a circulação de jogadores brasileiros pelo futebol europeu ainda era bem mais rara do que se tornaria décadas depois. O nome dele, hoje, é lembrado sobretudo pelos dois gols que fizeram parte da conquista do primeiro título mundial do país, em 1958.

Um jogador que abre o placar de uma final mundial e, quatro anos depois, decide outra final sem contar com o principal companheiro de ataque machucado é, por definição, um nome que qualquer seleção de qualquer época gostaria de ter no time. É esse currículo que faz de Vavá uma referência ainda citada sempre que se discute quem, na história do futebol brasileiro, soube aparecer nos momentos mais decisivos.

A data da morte é o único gancho fixo de calendário que a trajetória de Vavá oferece — 19 de janeiro divide o dia com a morte de Elis Regina e com a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, ambas já cobertas em peças próprias. Não há lei federal que institua esta data comemorativa; é efeméride histórica, e a Lei nº 12.345, de 2010, que fixa critério para instituir novas datas no calendário nacional, exige alta significação comprovada e consulta pública prévia, algo que nunca esteve em jogo para este dia.

Outras datas de janeiro

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