
Todo dia 5 de julho, o Brasil relembra a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, episódio armado ocorrido há mais de um século que abriu o chamado tenentismo no país.
O que foi a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana foi um levante militar ocorrido na madrugada de 5 de julho de 1922, contra a posse do presidente eleito Artur Bernardes. O movimento não ficou restrito ao forte carioca: envolveu também guarnições da Vila Militar, o Forte do Vigia, a Escola Militar do Realengo e o 1º Batalhão de Engenharia, além de focos em Niterói e no Mato Grosso.
O episódio é considerado a primeira manifestação armada do tenentismo, movimento de oficiais de baixa patente que contestava os rumos da política nacional, e levou o país a decretar estado de sítio.
Os estopins que levaram à revolta
O estopim imediato veio de uma ordem do presidente Epitácio Pessoa, em 2 de julho de 1922: prender o marechal Hermes da Fonseca e fechar o Clube Militar. Dois dias depois, em 4 de julho, o capitão Euclides Hermes — filho do marechal e comandante do Forte de Copacabana — conclamou seus comandados a resistir.
Foi esse chamado que desembocou, na madrugada seguinte, no levante armado que ficou conhecido pelo nome do forte onde o movimento teve seu episódio mais lembrado.
Como o confronto se desenrolou até a avenida Atlântica
Os rebeldes resistiram a um contra-ataque das forças legalistas, e os sobreviventes marcharam pela avenida Atlântica, onde travaram tiroteio direto com as tropas do governo. Dois tenentes que participaram da marcha, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, sobreviveram gravemente feridos e, mais tarde, tornaram-se nomes associados ao movimento tenentista.
Entre os mortos no confronto estavam os tenentes Mário Carpenter e Newton Prado. O enfrentamento na orla do Rio de Janeiro é o momento mais lembrado quando se conta a história da revolta.
Por que não existe lei sobre a data
Diferente de outras datas do calendário, a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana não foi instituída como comemoração por nenhuma lei ou decreto: 5 de julho é lembrado porque é o aniversário do próprio evento histórico, sem que exista uma norma que tenha formalizado uma data comemorativa a partir dele.
Por isso, não há autor de projeto, sanção presidencial ou votação a apurar sobre este episódio — o que existe é o registro histórico do que aconteceu naquela madrugada de 1922.
O número que dá nome ao episódio, e o que ele não significa
O nome “Revolta dos 18” é consagrado pelo uso, mas não deve ser lido como uma contagem exata de participantes. Segundo o acervo da Biblioteca Nacional, a marcha pela avenida Atlântica foi feita provavelmente por cerca de 17 ou 18 militares e um civil, havendo controvérsias quanto a esse número.
Ou seja, o número 18 é o nome pelo qual o episódio ficou conhecido, não um censo confirmado dos que participaram da marcha final até o confronto na orla. É um cuidado importante para quem estuda o período: repetir “18” como se fosse uma contagem fechada distorce um detalhe que a própria fonte de referência trata como incerto.
Em resumo, o 5 de julho lembra um episódio concreto da história republicana brasileira, marcado por uma sequência de decisões — a ordem de prisão do marechal Hermes da Fonseca, o chamado do capitão Euclides Hermes, a resistência no forte e o confronto final na avenida Atlântica — e não por uma lei ou decreto que tenha instituído a data. É a história em si, registrada por fontes como a Biblioteca Nacional, que sustenta essa comemoração ano após ano.
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