
Hoje, 12 de janeiro, é lembrada a Morte de Zilda Arns no terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Não existe lei federal que institua esta data em sua memória: o dia é o da tragédia que a matou, e é assim que fica registrado.
O que aconteceu na Morte de Zilda Arns
Em 12 de janeiro de 2010, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann morreu em Porto Príncipe quando o terremoto derrubou o prédio em que ela falava a religiosos sobre como levar ao Haiti o trabalho que havia criado no Brasil. Tinha 75 anos e estava em missão humanitária, como fazia havia décadas, viajando o mundo para ensinar o método simples que havia criado em casa.
Nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, em 25 de agosto de 1934, fundou a Pastoral da Criança em 1983 a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, no Paraná, e, mais adiante, criou também a Pastoral da Pessoa Idosa, ampliando o mesmo método simples e barato para outra faixa inteira da população brasileira.
A origem apurada: um método simples que virou rede
O método era simples e barato: voluntárias da própria comunidade, quase sempre mulheres, pesavam as crianças todo mês, ensinavam o soro caseiro e acompanhavam as gestantes de casa em casa — uma rede que chegou a mais de duzentos mil voluntários e a mais de vinte países, e que lhe rendeu indicação ao Nobel da Paz em 2001.
É o catolicismo de base em estado puro, o mesmo tecido de pastorais, irmandades e devoção leiga que sustenta as festas de santo pelo interior do Brasil e que quase nunca aparece em lei. A força do método estava justamente em não depender de estrutura cara: bastavam balança, caderno e voluntárias dispostas a visitar casa por casa, todo mês, sem falta.
O que diz a lei sobre a Morte de Zilda Arns
Não existe lei federal que institua 12 de janeiro como data em memória de Zilda Arns; o dia é o do terremoto, e é assim que fica registrado. A Lei nº 12.345, de 2010, que fixa critério para instituição de datas comemorativas, condiciona a criação de qualquer data nacional à comprovação de alta significação e a consultas e audiências públicas documentadas:
“fixa critério para instituição de datas comemorativas”
Sobre o processo de beatificação, apura-se apenas o que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil publicou: a entrega da moção de apoio, em 2015, e o encaminhamento seguinte ao Vaticano — nenhum desfecho é afirmado. Nenhuma votação foi lida e nenhum placar é afirmado.
Como o legado de Zilda Arns é lembrado hoje
Em 10 de janeiro de 2015, cinco anos depois da morte, cerca de 40 mil pessoas se reuniram na Arena da Baixada, em Curitiba, para a entrega oficial de uma moção com mais de 130 mil assinaturas pedindo a abertura de seu processo de beatificação, que a arquidiocese encaminharia ao Vaticano.
O dia 12 de janeiro também reúne, no calendário de efemérides, outras datas sem relação direta com a missão de Zilda Arns:
- Nascimento do sertanista Orlando Villas-Bôas (1914)
- Tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro (2011)
- Morte do atleta Adhemar Ferreira da Silva (2001)
Em resumo, a Morte de Zilda Arns não gerou data comemorativa por lei: o que sobrevive é a rede de voluntárias da Pastoral da Criança, espalhada por mais de vinte países, construída ano após ano sem nunca precisar de norma federal para existir — nem antes da tragédia que a matou lá no Haiti, nem depois dela, até os dias de hoje mesmo.
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