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Dia de Santa Inês: a origem apurada do martírio

Cordeiro branco em campo aberto ao lado de vela acesa sobre altar simples
Foto: Erica On The Go / Pexels

Hoje, 21 de janeiro, é o Dia de Santa Inês, quando a Igreja lembra a jovem romana martirizada ainda menina, provavelmente no ano 304. Não existe lei brasileira que institua a data: ela vem do calendário litúrgico católico.

O que se comemora no Dia de Santa Inês

Inês morreu menina, provavelmente no ano 304, no auge da perseguição movida pelo imperador Diocleciano, embora parte dos estudiosos situe o martírio quatro décadas antes. A tradição conta que, aos treze anos, ela recusou o filho do prefeito de Roma porque havia se consagrado a Cristo.

A vingança foi expô-la entre as prostitutas na atual Praça Navona e, depois, condená-la à fogueira. As chamas não a tocaram, e ela morreu por um golpe de espada na garganta — um martírio que a tradição registra com esse nível de detalhe justamente para reforçar a firmeza da jovem diante da condenação.

A origem apurada do nome e da imagem da santa

O nome Inês, que em grego quer dizer pura e casta, tem ainda uma semelhança sonora com a palavra latina para cordeiro, e essa coincidência fixou a imagem que a arte repete até hoje: a moça com um cordeirinho ao lado.

Os restos de Inês estão numa urna de prata na basílica da Via Nomentana, erguida por vontade da princesa Constantina, filha do imperador Constantino, sobre a catacumba onde a jovem foi sepultada. É essa combinação de martírio precoce e imagem doce, do cordeiro ao lado da moça, que explica por que a devoção a Inês atravessou tantos séculos sem perder força.

A escolha de erguer a basílica por vontade de uma princesa, filha de um imperador, também diz algo sobre o peso que o culto a Inês já tinha poucas décadas depois de sua morte: não era apenas devoção popular espontânea, mas já contava com apoio direto de figuras próximas ao próprio poder imperial, o que ajudou a preservar tanto o relato do martírio quanto o local de sepultamento até os dias de hoje.

O que diz a lei sobre a data

Trata-se de festa do calendário litúrgico católico, sem lei brasileira que a institua como data comemorativa — não há, portanto, votação a registrar em casa legislativa alguma. A data foi fixada pela própria Igreja, no dia da morte da jovem, e não por decisão do Congresso.

A Lei nº 12.345, de 2010, que fixa o critério para a criação de datas comemorativas no país, exige alta significação comprovada em consultas e audiências públicas — exigência que festas religiosas tão antigas quanto esta, em geral, não chegam a percorrer.

Como o Dia de Santa Inês é marcado hoje

Todo 21 de janeiro, dois cordeiros criados pelas Irmãs da Sagrada Família de Nazaré são abençoados em Roma. Da lã desses animais saem os pálios que o papa impõe aos novos arcebispos metropolitanos em 29 de junho, inclusive aos brasileiros — um fio que liga a festa de uma jovem morta no século IV a uma cerimônia que se repete todo ano na Igreja atual.

É esse ritual da bênção dos cordeiros, mais do que qualquer celebração popular ampla, que mantém viva a memória de Inês dentro do calendário da Igreja, ano após ano, sem depender de lei alguma para se manter.

O detalhe da lã usada para tecer os pálios impostos a arcebispos metropolitanos, inclusive brasileiros, mostra como um episódio ocorrido em Roma no século IV segue com efeito prático até hoje, em cerimônias que se repetem em diferentes países, sem que nenhuma lei precise formalizar essa cadeia entre o cordeiro abençoado em 21 de janeiro e o pálio entregue meses depois.

Em resumo, o Dia de Santa Inês lembra, em 21 de janeiro, o martírio de uma jovem romana morta ainda menina, provavelmente no ano 304. Sem lei brasileira sobre a data, o que a sustenta é o próprio calendário litúrgico da Igreja e o ritual da bênção dos cordeiros que se repete em Roma a cada ano.

Outras datas de janeiro

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