
6 de março é a data de nascimento, em 1900, de Joubert de Carvalho, o médico mineiro que também foi um dos compositores mais tocados da música popular brasileira do século 20. Não existe lei que tenha instituído essa data: é apenas o aniversário de nascimento de uma figura pública, sem nenhum ato do Congresso por trás.
Joubert de Carvalho, o médico que virou compositor
Joubert Gontijo de Carvalho nasceu em Uberaba, no Triângulo Mineiro, em 6 de março de 1900, segundo de dez filhos de um fazendeiro e comerciante. Ganhou um piano do pai aos nove anos e começou tirando de ouvido as marchas que escutava da banda da cidade. Aos vinte foi para o Rio de Janeiro estudar medicina, e em 1925 se formou com uma tese que já dizia muito sobre a vida dupla que levaria: Sopros musicais do coração, aprovada com distinção. Foi médico de carreira, nomeado em 1933 para o Instituto dos Marítimos, onde chegou a diretor do hospital, e é lembrado como um dos pioneiros da medicina psicossomática no Brasil. Em paralelo, escreveu mais de setecentas composições editadas — um volume de trabalho que, sozinho, já explicaria uma vida inteira, e que ele levou ao lado da rotina de atender os marítimos internados sob os cuidados dele.
Taí, o sucesso que lançou Carmen Miranda
Duas dessas composições mudaram coisas de lugar. A primeira é Taí, também conhecida pelo primeiro verso, Pra Você Gostar de Mim: gravada em 1930 por uma cantora ainda novata chamada Carmen Miranda, virou o estouro que abriu a carreira dela, num tempo em que os grandes nomes vendiam mil discos, e esse teria passado de trinta mil, segundo a tradição que cerca a canção. A própria bibliografia de música popular brasileira repete, em outras versões da história, o número de 35 mil cópias vendidas, mas a origem exata desse dado nunca foi encontrada em documento de gravadora — por isso ele entra aqui apenas como algo contado e repetido ao longo dos anos, não como fato comprovado por registro comercial da época. Carmen Miranda ainda não era a estrela internacional em que se tornaria depois: era uma cantora no início de carreira quando gravou os versos escritos pelo médico de Uberaba.
Maringá, a canção que virou nome de cidade
A segunda é Maringá, do começo dos anos 1930 — as fontes divergem sobre o ano exato da composição, e por isso vale registrar apenas essa margem, sem cravar um ano único. A canção conta a história de uma mulher que deixa o sertão por causa da seca; o nome saiu da junção de Maria com Ingá, cidade paraibana. Anos depois, quando a Companhia de Terras Norte do Paraná abriu núcleos de colonização no norte do estado, os próprios trabalhadores cantavam a canção no serviço, e foram eles os primeiros a associar o nome dela ao lugar onde moravam, antes de qualquer decisão oficial de batismo. A sugestão de batizar com ela uma das cidades pegou. Maringá foi fundada em 10 de maio de 1947 e até hoje se chama Cidade Canção. Segundo página de história local, a cidade ainda deu o nome dele a uma banda municipal em 1956, rebatizou uma rua em 1958, adotou o apelido de Cidade Canção em 1962 e concedeu a Joubert a cidadania honorária em 1970.
Por que não há lei para o nascimento de Joubert de Carvalho
Não existe norma nenhuma ligando 6 de março a Joubert de Carvalho: o que se comemora aqui é só o aniversário de nascimento de uma figura pública. A única norma que ronda essa mesma data do calendário é a Data Magna de Pernambuco, ligada à Revolução Pernambucana de 1817, e ela não tem relação nenhuma com o compositor mineiro nem com a obra dele. Joubert morreu no Rio de Janeiro em 20 de setembro de 1977, depois de uma vida dividida entre o consultório e o piano — o médico que passava o dia atendendo marítimos e, à noite, escrevia versos que acabariam virando nome de cidade e trampolim de uma das maiores artistas da música brasileira. É esse duplo ofício, mais do que qualquer norma, que explica por que Uberaba e Maringá ainda lembram dele: uma cidade pelo berço, a outra pela canção.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

