
27 de março é o Dia do Circo no Brasil, mas essa data não tem lei federal nenhuma por trás dela — é uma norma do estado de São Paulo, e a própria lei paulista que a criou já nasceu com dois erros: data errada e nome errado do homenageado.
A lei que errou a data e o nome
A Lei estadual nº 129, de 11 de julho de 1973, cuja ementa é “Institui o ‘Dia do Circo'”, fixava no artigo 1º:
Fica instituído o ‘Dia do Circo’, a ser comemorado, anualmente, em 15 de março, data do aniversário natalício de Abelardo Galdinho Pinto, o artista ‘Piolin’.
O problema é que o aniversário de Piolin não é 15 de março, e o sobrenome do pai dele, na grafia correta, não é “Galdinho”. A correção veio oito anos depois, pela Lei estadual nº 2.833, de 12 de maio de 1981, que deu nova redação ao artigo 1º: o Dia do Circo passou a ser comemorado em 27 de março, data correta do aniversário de Abelardo Galdino Pinto Piolin. Quem escreve que a data foi instituída em 1973 já no dia 27 de março erra nos dois pontos — a data certa só veio com a lei de 1981.
Por que não existe lei federal do Dia do Circo
Em âmbito federal não há norma nenhuma: a busca no LexML pela expressão “dia nacional do circo” devolve zero itens, e a busca de texto integral no Diário Oficial da União pela mesma expressão também não encontra nada. As onze ocorrências da frase “Dia do Circo” no DOU são apenas nomes de projetos culturais citados em portarias do Ministério da Cultura, sem relação com uma data comemorativa oficial. Existe, sim, lei federal para o Dia do Palhaço, em 10 de dezembro — mas é outra data, para outra categoria de artista, e não deve ser confundida com o Dia do Circo.
Quem assinou as duas leis paulistas
O projeto que deu origem à lei de 1973 foi apresentado pelo deputado estadual Pedro Geraldo Costa, e o texto foi sancionado com a assinatura de Pedro de Magalhães Padilha, então secretário de Cultura, Esportes e Turismo. Já a correção de 1981 foi sancionada pelo governador Paulo Salim Maluf, com Antonio Henrique Cunha Bueno, secretário extraordinário da Cultura. Nenhuma das duas fichas oficiais registra votação nominal, o que é comum em projetos dessa natureza dentro das assembleias estaduais — mas o simples fato de existirem duas leis, uma corrigindo a outra, já mostra que o Dia do Circo levou oito anos para chegar à data que conhecemos hoje.
Quem foi o homenageado
Abelardo Pinto nasceu em 27 de março de 1897, em Ribeirão Preto, dentro do circo dos próprios pais, Galdino Pinto e Clotilde Farnesi. Virou Piolin, palhaço de picadeiro que em 1929 incorporou o nome artístico ao nome de batismo e se tornou o artista circense mais conhecido do país no século XX. O circo que ele representa é o circo de lona, de família, que atravessa o Brasil montando e desmontando praça a praça, ensinando o ofício de pai para filho e sustentando gerações inteiras fora de qualquer escola formal.
Outra data no mesmo dia
O 27 de março também é lembrado, num calendário completamente diferente, como Dia Mundial do Teatro e como Dia do Especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial — duas efemérides que não têm relação nenhuma entre si nem com o circo, mas que dividem a mesma folhinha. Para o portal, a data do circo rende a pauta mais concreta: onde ainda armam lona os circos de família no litoral capixaba, e quantas famílias vivem exclusivamente dessa tradição que atravessa gerações fora da escola formal.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

