
Hoje, 4 de outubro, é o Dia de São Francisco de Assis, santo que largou riqueza para viver de esmola e hoje é lembrado tanto pela pobreza voluntária quanto pelo cuidado com os animais. A data não é feriado nacional nem tem lei federal por trás.
Quem foi o santo do Dia de São Francisco de Assis
Giovanni di Pietro di Bernardone, filho de um rico comerciante de tecidos de Assis, na Itália, rompeu com o pai por volta de 1206, devolveu as roupas que vestia e passou a viver de esmola entre leprosos e mendigos. O gesto de devolver publicamente as próprias roupas ao pai é um dos episódios mais lembrados de sua biografia, e ajuda a explicar por que a pobreza escolhida, e não imposta, segue sendo o traço mais citado quando se fala do santo.
Fundou a ordem dos frades menores, aprovada por Inocêncio III, e morreu em 1226; foi canonizado dois anos depois. O 4 de outubro é a data de sua morte, e não do nascimento — a lógica do calendário cristão é celebrar o dia em que o santo passa desta vida.
A origem apurada de duas tradições que vêm dele
No Brasil os franciscanos chegaram no século 16 e deixaram marca em conventos, igrejas e nomes de cidades, e o santo virou referência de dois assuntos que raramente andam juntos: a pobreza voluntária e o cuidado com bichos e natureza, por causa do episódio do sermão aos pássaros e do Cântico das Criaturas.
O sermão aos pássaros, registrado pela tradição franciscana, e os versos do Cântico das Criaturas, que louvam o sol, a lua, a água e a própria morte como parte da criação, ajudam a explicar por que o santo continua sendo referência quando o assunto é meio ambiente, mesmo sete séculos depois de ter vivido.
A presença franciscana no Brasil também deixou marca em nomes de cidades e em festas populares realizadas em outubro, quando paróquias dedicadas ao santo organizam programação especial que mistura celebração religiosa e mobilização em torno da causa animal.
Também é dele o presépio: a tradição registra que Francisco montou em Greccio, na noite de Natal de 1223, a primeira representação viva do nascimento de Jesus, costume que atravessou oito séculos e continua montado em salas de estar brasileiras todo dezembro.
O costume, que nasceu de um gesto simples numa vila italiana, se transformou num dos símbolos mais populares do Natal no Brasil, montado tanto em igrejas quanto em casas de família, sem que a maioria de quem monta um presépio hoje saiba que a ideia nasceu com Francisco.
O que diz a lei sobre a data
Não há lei federal brasileira criando o Dia de São Francisco de Assis. O 4 de outubro é a festa do santo no calendário romano, conferida no calendário dos santos do portal do Vaticano, e a data não é feriado nacional — onde ela vira feriado, como em municípios que têm Francisco por padroeiro, a norma é municipal.
O Dia Mundial dos Animais, que muita gente trata como data separada, na verdade nasceu colado a essa festa: foi proposto por protetores dos animais em congresso realizado em Florença, em 1931, justamente por causa do patrono dos bichos.
Como a data é marcada hoje
Igrejas e paróquias que têm Francisco por padroeiro costumam realizar bênçãos de animais no dia 4 de outubro, unindo o gesto religioso à pauta ambiental que o santo carrega desde o século 13. É um dos poucos casos em que uma festa católica e uma data de proteção animal caminham lado a lado, sem que uma precise da outra para existir.
O Dia de São Francisco de Assis prova como uma vida do século 13 continua rendendo pauta oito séculos depois — sem feriado, sem lei federal, só pelo peso da própria história.
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