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Nascimento de Rubem Braga: o capixaba que virou a crônica

Máquina de escrever antiga sobre mesa de madeira com folhas de papel
Foto: MART PRODUCTION / Pexels

Hoje, 12 de janeiro, é lembrado o Nascimento de Rubem Braga, em 1913. Não há lei federal que institua este dia como homenagem oficial ao cronista: o dia é apenas o do seu aniversário de nascimento.

Quem foi o homenageado no Nascimento de Rubem Braga

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo, em 12 de janeiro de 1913, e é o capixaba que transformou a crônica em gênero maior da literatura brasileira. Começou no jornalismo aos quinze anos, no Correio do Sul, jornal da própria cidade, e nunca mais largou a imprensa pelo resto da vida inteira, de redação em redação, de cidade em cidade, de jornal em jornal.

Na Segunda Guerra foi correspondente junto à Força Expedicionária Brasileira, na Itália, em 1945, contando o cotidiano dos pracinhas em vez do movimento das tropas — uma escolha de olhar que definiria o resto de sua carreira: contar o miúdo do dia a dia em vez do grandioso dos comunicados oficiais. Em 1950 voltou à Europa para mostrar o continente depois da destruição e entrevistou nomes como Sartre e Picasso, em Paris.

A origem apurada: quinze mil textos e uma vida no jornal

O acervo reunido pela Universidade de São Paulo passa de quinze mil textos, o que dá a medida de uma vida escrevendo quase todo dia, ano após ano, sem parar. Assinou “Ai de Ti, Copacabana”, “As Boas Coisas da Vida” e “Recado de Primavera”, em língua simples e direta, conversando com o leitor em vez de discursar para ele. Essa mesma lente, aplicada depois ao dia a dia do Rio de Janeiro e à memória do Espírito Santo, é o que ajudou a transformar a crônica em literatura de peso no Brasil.

Para o leitor de hoje, a lição prática do Nascimento de Rubem Braga é simples: não é preciso lei para reconhecer a importância de um escritor. O que sustenta a memória dele, ano após ano, sem qualquer ajuda de decreto, é o próprio texto — reeditado, estudado e ainda comentado décadas depois de ter sido escrito pela primeira vez.

O que diz a lei sobre o Nascimento de Rubem Braga

Não há lei federal que institua 12 de janeiro como data em homenagem ao cronista; o dia é o do aniversário de nascimento, e é assim que fica registrado. A Lei nº 12.345, de 2010, que fixa critério para instituição de datas comemorativas, condiciona qualquer nova homenagem nacional à comprovação de alta significação para o segmento e a consultas e audiências públicas documentadas:

“fixa critério para instituição de datas comemorativas”

Nenhuma votação foi lida e nenhum placar é afirmado.

Como o legado de Rubem Braga é lembrado hoje

Morreu em 1990, e segue sendo, para quem lê no Espírito Santo, o vizinho que aprendeu a olhar o mundo a partir do vale do Itapemirim — sem nunca precisar de lei nenhuma para ser lembrado toda vez que alguém reabre um só que seja dos mais de quinze mil textos que ele deixou espalhados por décadas inteiras de trabalho em jornal, sempre escrevendo.

O dia 12 de janeiro também reúne, no calendário de efemérides, outras datas sem relação com o cronista:

  • Nascimento do sertanista Orlando Villas-Bôas (1914)
  • Tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro (2011)
  • Morte do atleta Adhemar Ferreira da Silva (2001)

Em resumo, o Nascimento de Rubem Braga não tem data comemorativa criada por lei: o que sustenta a lembrança, todo 12 de janeiro, é o próprio volume e a qualidade do que ele escreveu, do front de guerra às boas coisas simples da vida cotidiana no Espírito Santo e no Rio.

Outras datas de janeiro

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