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3 de janeiro é o dia de Santa Genoveva, padroeira de Paris

vela acesa diante de imagem de santa em altar de pedra antigo
Foto: Magda Ehlers / Pexels

3 de janeiro é o dia de Santa Genoveva, a mulher que o calendário católico celebra como padroeira de Paris. A história dela é uma das mais antigas do santoral que ainda chega inteira até nós, e tem um elemento raro: Genoveva não ficou conhecida por um martírio nem por um milagre isolado, mas por ter convencido uma cidade assustada a não fugir.

As fontes divergem em detalhes de datas, e vale dizer isso de saída em vez de escolher uma versão e apresentá-la como definitiva. As páginas católicas em português dizem que ela nasceu em Nanterre, perto de Paris, no ano 422; a enciclopédia livre situa o nascimento entre 419 e 423 e registra os nomes dos pais, Severo e Gerontia. No essencial, todas concordam: nasceu em Nanterre, viveu em Paris e ali morreu num 3 de janeiro.

Quem foi Santa Genoveva

Ainda menina, foi consagrada a Deus pelo bispo São Germano de Auxerre, que passava por Nanterre a caminho da Inglaterra. Tinha seis anos, diz uma das fontes; sete anos, por volta de 429, diz a outra. O bispo teria dito que aquela criança seria uma grande força diante do Senhor. Morrendo os pais, a menina foi viver em Paris com uma madrinha chamada Lutécia, e ali se entregou à oração, à penitência e ao cuidado dos pobres.

Aos quinze anos já reunia outras mulheres numa associação de trabalho apostólico e socorro aos necessitados, e até os trinta vestiu hábito religioso. Não era uma reclusa: a vida dela se passou na rua, no meio da cidade, com autoridade suficiente para negociar com bispos, com o povo e, mais tarde, com reis.

A noite em que Paris decidiu não fugir

O episódio que fixou o nome dela na memória francesa é o de 451. Os hunos comandados por Átila avançavam, e a população se preparava para abandonar Paris com o que conseguisse carregar. Genoveva convenceu os moradores a permanecer e a rezar. O exército não atacou a cidade e seguiu na direção de Orleães. Quem quiser explicar o caso pela estratégia militar terá argumentos; quem quiser explicá-lo pela fé também. O que ninguém discute é que a decisão de ficar foi obra da persuasão de uma única mulher sem cargo nem tropa.

Houve um segundo salvamento, menos citado e talvez mais impressionante. Com a cidade cercada e a fome já matando, ela obteve socorro das populações agrícolas vizinhas e organizou a chegada de provisões pelos rios. Milhares de pessoas comeram por causa daquela operação. É por isso que a devoção a ela nunca foi a de uma santa guerreira, e sim a de uma protetora nas horas de calamidade e de perseguição.

Do túmulo real ao relicário de hoje

Genoveva tinha ascendência sobre o rei Clóvis, que a venerava e soltava presos a pedido dela, e a quem ela convenceu a erguer uma igreja dedicada a São Pedro e São Paulo. Morreu por volta do ano 502, com mais de oitenta anos, segundo as fontes católicas consultadas; outra fonte data a morte em 3 de janeiro de 512, aos 82 anos. Foi sepultada por ordem de Clóvis na basílica erguida para receber sepulturas reais, que acabou conhecida pelo nome dela.

Sobre o túmulo cresceu uma abadia, que guardou as relíquias até ser saqueada durante a Revolução Francesa; o antigo templo dedicado a ela veio a se tornar o Panteão. O relicário está hoje na Igreja de Saint-Étienne-du-Mont, em Paris, e continua sendo levado em procissão. Poucas devoções atravessaram quinze séculos com essa continuidade de endereço.

A santa francesa que dá nome a um aeroporto brasileiro

O nome dela chegou ao Brasil por um caminho inesperado. O Aeroporto Internacional Santa Genoveva, em Goiânia, se chama assim porque o terreno para a construção foi doado por Altamiro de Moura Pacheco, que pediu apenas que o aeroporto levasse esse nome, em homenagem à mãe homônima. A arquidiocese local lembra ainda que Paris, cidade da santa, foi o palco dos voos pioneiros de Alberto Santos Dumont, e que a cidade celebrou em 2020 os 1.600 anos do nascimento de Genoveva.

Para quem acompanha o calendário do santoral, o 3 de janeiro cai numa semana morna, entre o fim das festas do Natal e a retomada do ano. É um bom dia para lembrar que a santidade, no relato mais antigo da Igreja, quase nunca aparece como fuga do mundo: aparece como alguém que fica onde está, organiza os vizinhos e resolve o problema que estava na frente de todos.

Outras datas de janeiro

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